Rio, 02 (AE) - Uma cruzada para proteger crianças em situação de risco, impedindo que se tornem ainda mais marginalizadas, e garantir uma velhice digna a idosos, já muitas vezes sem esperança. Esse foi o caminho escolhido pela Cruzada do Menor, instituição criada em 1920, que vem passando por transformações ao longo das décadas. "Já fomos uma instituição assistencialista e, hoje, somos uma empresa social", define o superintendente Belmiro Nunes.
A entidade mantém 289 crianças de até 4 anos de idade em creches, 67 adolescentes de 15 a 17 anos em cursos profissionalizantes e 81 idosos em atividades diárias. "O velho e a criança só pesam no orçamento familiar, porque não produzem", constata Nunes. "Trabalhamos com esses extremos e com os adolescentes, para que tenham oportunidade de crescer."
O perfil da instituição já foi muito diferente: até 1983
quando ainda era chamada de Cruzada Nacional Contra a Tuberculose, cuidava de crianças com a doença; de 1985 a 1993, já com a nova denominação, atendia 300 menores de rua na zona sul do Rio. "A chacina da Candelária nos fez perceber que deveríamos prevenir a ida dessas crianças para a rua, em vez de dar tratamento assistencialista", analisa o superintendente. "Por que eles tentariam se reconciliar com a família se nas ruas eles encontravam comida, remédio e liberdade?" Os adolescentes da Cruzada fazem cursos de jardinagem, auxiliar de creche, escritório, hotelaria e de vendas.
Para fazer parte dos programas de profissionalização da instituição, é necessário o acompanhamento familiar, frequência escolar e boas notas. A entidade garante uma bolsa auxílio de meio salário mínimo e uma cesta básica, a fim de incentivar a participação dos pais. "O aluno com baixo rendimento é advertido que pode ser punido com a perda da cesta", afirma Nunes. Essa atitude obriga que os pais se responsabilizem pela educação dos filhos. Nos últimos quatro anos, 156 adolescentes passaram pelos cursos. A maior parte deles foi empregada em empresas como a Sul América Seguros, a Petrobrás e o Jardim Botânico do Rio.
Propriedade - A Cruzada mantém uma propriedade com 183 mil metros quadrados em Petrópolis, na região serrana, que abriga creche, cursos, pousada e até um spa. Os dois últimos garantem renda mensal de R$ 15 mil, que cobre 50% dos custos da Casa Nogueira, como é chamada. O restante do dinheiro vem de doações. A sede da entidade, uma bela casa em Del Castilho, zona norte, também oferece creche, cursos e assistência ao idoso e aos moradores da Favela Bandeira 2. A Casa Emilian Lacay oferece os mesmos serviços aos moradores da Favela Cidade de Deus.

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