Nações Unidas, 01 (AE-AP) - Duas guerras e quase uma década de sanções contra o Iraque provocaram o colapso do sistema de saúde do país e ameaça a própria existência do povo iraquiano, afirma um novo relatório da Cruz Vermelha Internacional.
Mesmo se as abrangentes sanções forem suspensas amanhã, "levaria anos para o país retornar aos mesmos padrões de antes da Guerra do Golfo" por causa da total devastação, considera o relatório, que foi obtido pela AP.
"Iraque: Uma década de sanções", condensa o trabalho da Cruz Vermelha no Iraque após a Guerra Irã-Iraque de 1980 a 1988 e a Guerra do Golfo de 1991, e pretende justificar a doadores porque a organização humanitária tem tido de aumentar seu orçamento e operações no país, disseram autoridades da Cruz Vermelha.
Mas ele também joga mais lenha no debate cada vez mais inflamado sobre as sanções e seu impacto sobre os 22 milhões de iraquianos, oferecendo detalhes do desesperado estado dos hospitais da nação e da população como um todo.
"Deterioradas condições de vida, inflação e baixos salários têm tornado o dia-a-dia do povo uma luta constante, enquanto a escassez de alimentos e a falta de medicamentos e água potável ameaça a própria existência dele", afirma o relatório.
O colapso do sistema de saúde do Iraque e o bastante danificado sistema de purificação de água apresentam as "ameaças maiores", considerou.
Resoluções do Conselho de Segurança da ONU impõem que tem de ser declarado que o Iraque livrou-se de suas armas de destruição em massa antes que abrangentes sanções comerciais, impostas depois da invasão iraquiana do Kuwait em 1990, possam ser suspensas.
Os Estados Unidos têm culpado o Iraque pelo sofrimento de seu povo, dizendo que o presidente Saddam Hussein tem prolongado as sanções ao não cooperar com inspetores de armas e se recusar a implementar um programa de ajuda da ONU que permite o Iraque comprar bens humanitários através da venda supervisionada pela ONU de petróleo.
Washington, entretanto, também está sob fogo cerrado internacional e doméstico por suas posições radicais em relação às sanções e por impedir que o Iraque receba equipamentos extremamente necessários através do programa da ONU. Os Estados Unidos alegam quer ter certeza de que os equipamentos, como o para reparação de bombardeadas redes de energia elétrica, da indústria petrolífera e sistema de purificação de água, não sejam usados para fins militares.
O Conselho de Segurança prometeu melhorar a eficiência do programa humanitário da ONU no Iraque, mas o relatório do ICRC afirma que nem o programa "petróleo-por-comida" nem qualquer outro programa de ajuda pode solucionar os problemas básicos dos iraquianos.