Rio, 03 (AE) - Há noventa e um anos no Brasil (que serão comemorados no domingo), a Cruz Vermelha passa por uma séria crise financeira e vive a incerteza de não saber por quanto tempo ainda poderá funcionar. De acordo com a presidente nacional da seção brasileira da organização, Mavy DAché Harmon, a União não repassou uma verba de R$ 400 mil prevista em convênio firmado em dezembro de 1997, o que teria agravado a crise.
Mavy conta que com as inundações causadas pelas chuvas de verão de 1997, que mataram 78 pessoas só na cidade do Rio de Janeiro, a Cruz Vermelha teve de aplicar cerca de R$ 1 milhão (valor da época) no auxílio a 110 mil moradores. A assistência prestada nos meses de janeiro, fevereiro e março daquele ano, estendeu-se aos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, também bastante castigados com as enchentes. "Distribuímos todas as nossas reservas de alimentos e agasalhos aos desabrigados e esgotamos nossos recursos", afirma a presidente. De acordo com ela, a situação financeira da instituição antes das enchentes era estável.
Os cursos oferecidos pela instituição - pelos quais os alunos pagam uma taxa mensal simbólica - e a manutenção do prédio-sede, inaugurado em 1908 e localizado no Centro, são custeados por doações. "Não temos uma verba fixa; dependemos da bondade do povo", diz Mavy, há quinze anos no cargo. Entre as principais atividades da Cruz Vermelha no Rio, destacam-se as da Escola de Enfermagem, que conta com mil alunos inscritos, o atendimento fonoaudiológico a crianças da rede pública de ensino
e a manutenção da Pré-Escola, onde estudam 140 crianças.
Mesmo com o reduzido número de funcionários contratados - somente dez dos que lá trabalham são remunerados; o resto constitui-se de voluntários - os salários estão atrasados há meses. O prédio é tombado e, segundo Mavy, tem custo de manutenção bastante elevado. "Precisamos de pequenas obras reparadoras de tempos em tempos; seria maravilhoso se alguma construtora nos ajudasse", diz ela.

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