Kampala, 24 (AE-AP) - Relatório da Cruz Vermelha alerta para o risco de uma escalada de catástrofes naturais e epidemias pelo mundo, principalmente em países pobres, onde aglomerados urbanos e cortiços representam riscos de saúde pública.
O Relatório Mundial de Desastres de 1999, um texto de 200 páginas, disse que o aquecimento global, o desflorestamento, a superpopulação nos centros urbanos e a pobreza nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento estão acelerando a disseminação de doenças contagiosas, e tornaram grandes populações mais vulneráveis a catástrofes naturais.
Pobreza e migrações em massa, somadas a um aumento na resistência de vírus e bactérias aos tratamentos tradicionais e ao surgimento de novas doenças, como a aids, estão atingindo cada vez mais pessoas, diz o relatório.
Além disso, cientistas vinculam mudanças no clima a alterações nos padrões conhecidos de disseminação de doenças.
A superpopulação urbana facilita o contágio por doenças respiratórias, e o mosquito da malária deve vir a se mudar para áreas antes consideradas livres da doença, como Nairóbi. A previsão é de que surjam mais 80 milhões de casos de malária no próximo século.
"Com quase um bilhão de pessoas vivendo, hoje, em áreas urbanas sem qualquer planejamento, com desflorestamento acabando com as defesas ecológicas contra eventos naturais catastróficos, e com o aquecimento global tornando as forças do vento, chuva e sol mais imprevisíveis, o mundo corre risco como nunca antes", diz um resumo do relatório, divulgado pela Federação Internacional das sociedades de Cruz Vermelha e Crescente Vermelho.

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