Cruz é indiciado em IPM do Riocentro
Agência Folha
De Brasília
Passados 18 anos e dois inquéritos, o atentado a bomba no Riocentro tem finalmente quatro indiciados. O novo Inquérito Policial Militar (IPM), aberto três meses atrás, responsabilizou o general da reserva Newton Cruz e o coronel Wilson Machado. O encarregado do segundo IPM do Riocentro, o general Sérgio Conforto, concluiu que outros dois militares, o sargento Guilherme do Rosário e o coronel Freddie Perdigão, ambos mortos, também participaram diretamente do planejamento e do atentado.
O IPM está com o general Gleuber Vieira, comandante do Exército, e deve ser remetido até hoje ao procurador-geral da Justiça Militar, Kleber Coêlho. O general Newton Cruz, 74 anos, ex-chefe da Agência Central do Serviço Nacional de Informações (SNI), foi indiciado em quatro artigos do Código Penal Militar: por falso testemunho, desobediência, prevaricação e condescendência criminosa. O general Conforto considerou prescritos os dois últimos.
Cruz teria mentido ao dizer que soube do atentado no dia em que foi realizado. O novo IPM concluiu que ele sabia do planejamento havia mais de um mês. O general do SNI teria desobedecido ao não comparecer a um depoimento-acareação. Cruz diz que foi apenas convidado. O coronel Wilson Machado, ex-oficial do Destacamento de Operações de Informações (DOI), ex-funcionário do Colégio Militar em Brasília e hoje lotado na Diretoria de Movimentação do Exército, foi indiciado por homicídio qualificado.
Assim que os seis volumes do novo IPM do Riocentro chegarem à Procuradoria Militar, Kleber Coêlho vai avaliar se as provas contra Cruz são suficientes para denunciá-lo ao Superior Tribunal Militar (STM). Nesse caso, além de Cruz, o coronel Wilson Machado também será julgado pelo STM. Se ele acatar apenas o indiciamento do coronel, o IPM segue para a Procuradoria Militar do Rio, que oferecerá denúncia contra o oficial na primeira instância da Justiça Militar e um processo será aberto. O procurador-geral pode pedir novas diligências ou mandar arquivar o inquérito, se considerar que não há provas suficientes.
O atentado, em 30 de abril de 81, foi durante um show de música popular em comemoração ao 1º de maio. O então capitão Wilson Machado e o sargento Guilherme do Rosário, ambos do DOI, estavam no carro Puma em que a bomba explodiu, no estacionamento do Riocentro. A bomba explodiu no colo do sargento Rosário, que estava no banco do passageiro e morreu. Machado, ao volante, ficou gravemente ferido. O primeiro inquérito militar concluiu que os militares tinham sido vítimas de um atentado praticado pela esquerda.
O general diz que o segundo IPM sobre o atentado do Riocentro é uma farsa maior do que o primeiro. Segundo o general, enquanto o coronel Job Lorena de Santanna procurou jogar a culpa nas esquerdas, no primeiro inquérito, o general Sérgio Conforto tenta isentar o Exército de culpa, no segundo. Para Cruz, o Exército é responsável até por omissão.
Cruz insiste que a sua é a verdadeira história: por volta das 20 horas de 30 de abril de 1981, o coronel Fredie Perdigão, lotado no SNI do Rio, ligou para o chefe de operações da agência central em Brasília. Contou que estivera no DOI do 1º Exército e soubera que os agentes iriam praticar o atentado no Riocentro.General e três militares passam a responder como réus no processo sobre a bomba que explodiu durante show em 81
Arquivo FolhaReaçãoGeneral Newton Cruz, na época do SNI: Segundo IPM sobre o Riocentro é uma farsa maior que o primeiro





