O general de Exército Newton Cruz, ex-chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), ficou sabendo às 20 horas do dia 30 de abril de 1981 que agentes do governo fariam ‘‘um protesto’’ no estacionamento do Riocentro. Às 21h10 daquela noite uma bomba explodiu, matando o sargento Guilherme Pereira do Rosário e ferindo o capitão Wilson Machado. As informações do general foram dadas ontem em depoimento à Comissão de Direitos Humanos da Câmara, de onde saiu irritado por causa das perguntas dos deputados. Newton Cruz disse que depois reprimiu tentativas de ‘‘protesto’’ semelhante de oficiais.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Nilmário Miranda (PT-MG), afirmou que as revelações do general são muito importantes para desvendar um dos períodos mais obscuros da história do País.
De acordo com o general, naquela noite ele recebeu um oficial do SNI que dizia ter recebido um telefonema de um ‘‘interlocutor’’ do Rio avisando que ‘‘um grupo descontente do Departamento de Operações e Investigações (DOI) pretendia ir ao estacionamento (do Riocentro) e lá lançar um protesto contra aquele evento (o show em comemoração ao Dia do Trabalho)’’. Ele afirmou que os oficiais que trabalhavam para o DOI combinaram de fazer ‘‘alguma coisa afastada’’, que foi a bomba do Riocentro.
Newton Cruz afirmou que o explosivo, que seria colocado na casa de força, tinha ‘‘fraco poder’’ e o ser jogado para o alto explodiu. Segundo o general, os agentes do DOI queriam apenas ‘‘marcar presença’’ com a explosão, para depois divulgar a tese de que tudo tinha sido ‘‘armado por esquerdistas’’. O general disse que na época acreditou que tudo se resumiria ao ‘‘protesto’’ da bomba.

mockup