CRT investirá 500 milhões na expansão de serviços
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terça-feira, 29 de fevereiro de 2000
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 01 (AE) - A Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) investirá pelo menos R$ 500 milhões na expansão dos serviços este ano. O valor supera em mais de 160% os R$ 190 milhões aplicados em 1999 e permitirá a instalação de cerca de 350 mil novos telefones fixos (85% a mais do que no ano passado), elevando a planta total para pouco mais de 2 milhões de linhas no Estado.
Os planos da operadora gaúcha foram apresentados hoje pela nova diretoria executiva, composta por integrantes da Tele Centro Sul (TCS). Os diretores foram escolhidos pelo Conselho de Administração eleito ontem, também formado por representantes da TCS, que negocia a aquisição definitiva da companhia junto à Telefônica.
O novo diretor superintendente, Roberto Medeiros, explicou que o "objetivo olímpico" da CRT é custear a maior parte dos investimentos com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além da geração de caixa. A intenção é evitar um endividamento maior em moeda estrangeira, que sob o impacto da desvalorização cambial foi o principal responsável pelo prejuízo líquido de R$ 138 milhões da operadora em 1999.
"Foram feitos empréstimos sem proteção (hedge) contra uma eventual desvalorização, mas isto já aconteceu e não adianta chorar sobre o leite derramado", comentou Medeiros. No final de 1999 a CRT tinha um endividamento financeiro de R$ 868 milhões no curto e longo prazo, sendo praticamente a medade em moeda estrangeira. Com a desvalorização do real, o impacto negativo sobre o balanço alcançou quase R$ 226 milhões.
Conforme o diretor financeiro, Victor Moura, o serviço da dívida este ano, incluindo bancos e fornecedores, alcança R$ 500 milhões. "Será um ano de gastos muito controlados", comentou. O executivo disse que a operadora tem R$ 400 milhões a receber do BNDES por conta de reembolso de investimentos realizados desde 1998. Um empréstimo-ponte de R$ 177 milhões já foi liberado pela instituição em novembro de 1999 e Moura acredita que o valor final pode aumentar, pois a empresa está reunindo comprovantes de um maior volume de aquisições de equipamento nacional.
O diretor-superintendente, Roberto Medeiros, informou que a CRT vai priorizar o atendimento às áreas com demanda reprimida, a implantação de redes corporativas e a ampliação dos serviços de acesso à Internet. Atualmente a lista de espera por um telefone fixo alcança 700 mil inscritos, mas o número será revisto para eliminar as duplicidades e desistências. Deste total, 80 mil se inscreveram antes de 1996 e terão prioridade de atendimento este ano. O restante receberá suas linhas até o final de 2001.
A Tele Centro Sul pretende garantir o cumprimento das metas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) antes do final do ano que vem para poder competir fora da sua área de concessão atual e inclusive em outros segmentos, como a telefonia celular, disse Medeiros. A partir do segundo semestre deste ano, a TCS também enfrentará a concorrência da empresa-espelho da área 2, a Global Village Telecom.
Os negócios no segmento de Internet serão reforçados com a introdução de tecnologias de ponta. Segundo o diretor-técnico, Ayrton Capella, o sistema ADSL (Assimetric Digital Subscriber Line), que permite a transmissão de voz e dados simultaneamente na mesma linha está sendo testado pela TCS em Brasília e Curitiba e deverá ser estendido ao Rio Grande do Sul.
Segundo Roberto Medeiros, o volume de investimentos planejado para este ano na CRT corresponde a 25% dos R$ 2 bilhões que serão aplicados pela TCS nas demais operadoras que detém. No ano passado a Tele Centro Sul instalou quase 1 milhão de novas linhas nos nove Estados onde opera (excluído o Rio Grande do Sul) e no Distrito Federal. Para 2000 a meta é 1,5 milhão de novos telefones instalados na região.


