Porto Alegre, 17 (AE) - A CRT Celular, controlada pela Telefônica Internacional (Tisa) e que opera a banda A da telefonia móvel no Estado, vai completar R$ 320 milhões em investimentos ao longo deste ano para chegar a dezembro com 900 a 1 milhão de clientes, mais de cinco vezes acima dos 168 mil do final de 1996. Para os próximos dois anos estão previstos aportes de outros R$ 500 milhões, totalizando R$ 1,3 bilhão em investimentos no Estado desde 1997, informou hoje o diretor-superintendente da empresa, José Molés.
A expansão da base de clientes, porém, vem acompanhada por um índice de inadimplência, representada por atrasos de pagamento superiores a 90 dias, próximo a 8% do faturamento, disse o executivo. Isso implica um volume de desligamentos entre 10 mil e 15 mil linhas por mês, compensado pelos 40 mil a 45 mil novos clientes que se incorporam por mês, dos quais 30 mil no serviço pré-pago (a cartão). No primeiro semestre, a empresa teve uma receita líquida de R$ 303,4 milhões. A taxa de inadimplência da CRT Celular, segundo Molés, é inferior à média de 11% apurada pelas 22 operadoras filiadas à Associação Nacional de Empresas de Telefonia Móvel Celular (Acel) nos seis primeiros meses deste ano.
De acordo com o levantamento, a dívida acumulada dos usuários vencida há mais de três meses alcança R$ 750 milhões, ante um faturamento global de R$ 6,7 bilhões das empresas. "Estamos investindo para crescer", disse o diretor-superintendente, durante o lançamento de uma nova campanha publicitária desenvolvida para as mídias impressa e eletrônica que vai exigir R$ 1,3 milhão da empresa. Segundo ele, a CRT Celular tem hoje 800 mil clientes, sendo 600 mil no serviço pós-pago.
Cerca de 30% da rede é analógica devido às "vantagens tecnológicas" para operação em meios rurais, onde as distâncias a serem percorridas entre as antenas pelo sinal são maiores, explicou. Molés comentou que a companhia registra uma taxa de queda de ligações ao redor de 2%, enquanto os patamares internacionais estariam em torno de 4%. O executivo disse ainda que a CRT Celular não tem planos de reduzir as tarifas em função da concorrência deflagrada pela Telet, operadora da banda B que pretende conquistar 17% do mercado gaúcho até o final do ano. "Temos planos alternativos para os clientes que podem diminuir a conta até pela metade", comentou.

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