Zagreb, 04 (AE-AP) - Os croatas derrubaram o partido que os levou à independência, optando por uma coalizão opositora que promete uma retomada no avanço econômico e melhores laços com o Ocidente, de acordo com os resultados eleitorais finais desta terça-feira (04).
A coalizão entre social-democratas e social-liberais venceu facilmente em nove dos 11 colégios eleitorais nas primeiras eleições parlamentares desde a morte do presidente Franjo Tudjman.
O resultado final deu 71 cadeiras à coalizão na câmara baixa do parlamento. A União Democrática Croata, de Tudjman, que governou a Croácia desde sua primeira eleição multipartidária, em 1990, conseguiu 40 cadeiras. Uma aliança flexível entre quatro partidos oposicionistas conseguiu eleger 24 parlamentares.
Uma coalizão de dois partidos de extrema-direita também parecia ter ultrapassado o mínimo de 5% dos votos válidos e deveria eleger quatro deputados para a legislatura de cerca de 150 cadeiras.
O partido de Tudjman recebeu apoio quase absoluto de croatas residentes no exterior, de acordo com a apuração quase total desses votos. Isto poderia garantir ao partido quatro vagas a mais na câmara baixa do parlamento.
Cinco assentos estão reservados aos representantes dos sérvios e de outras minorias étnicas do país.
O resultado oficial será proclamado em alguns dias, para dar tempo a objeções oficiais e desafios. A partir de então, o novo parlamento deverá reunir-se em 20 dias.
"Estamos conscientes de nossa força, mas não fugiremos de nossas responsabilidades", disse Ivica Racan, escolhido pela coalizão para primeiro-ministro. Racan prometeu integrar a Croácia a instituições ocidentais como a União Européia (UE) e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
O sentimento de que a Croácia estava acordando para um novo começo prevalecia em todo o país, com cidadãos comuns procurando rádios independentes para expressar seu contentamento.
Em Bruxelas, a UE recebeu com satisfação os resultados da eleição na Croácia e esperava que coalizão oposicionista vencedora do pleito pressagie uma era de reformas democráticas.
"Estou confiante de que as futuras políticas da Croácia sejam claramente orientadas à Europa e aos valores europeus", disse o alto comissário da União Européia para segurança e política externa, Javier Solana.
"Espero um rápido progresso nas reformas democrática e econômica e no cumprimento dos compromissos internacionais da Croácia", declarou.