Um ato heróico. Foi como o presidente do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM), Luiz Salim Emed, definiu o fato de o cirurgião Francisco Gregori Júnior (foto), de 50 anos, de Londrina (PR), ter usado cola do tipo ‘‘Superbonder’’ para estancar a hemorragia no coração da aposentada Joana Woitas, de 60 anos. Ela sofria de insuficiência coronária e hoje passa bem.
A cirurgia aconteceu há um ano no Hospital Evangélico de Londrina, mas apenas na semana passada o médico contou que usou cola para a paciente. Gregori é professor da Universidade Estadual de Londrina e conta que tentou todas as técnicas possíveis para estancar o sangue do orifício do ventrículo esquerdo do coração. Segundo ele, após uma hora tentando sem sucesso, o orifício dobrou de tamanho - inicialmente tinha um centímetro de diâmetro. ‘‘O buraco aumentava cada vez mais e não tínhamos o que fazer’’, conta.
O cirurgião já havia avisado a família da paciente que desligaria os aparelhos, porque ela não tinha chances de sobrevivência. Foi quando teve a idéia. Ao lembrar-se de que o filho de 7 anos havia colado os dedos com superbonder, pediu que uma enfermeira fosse até o posto de gasolina da esquina e comprasse a cola. O sangue foi estancado com superbonder e tecidos para coagulação.
‘‘Preferi dar uma oportunidade à paciente, pois ela morreria se eu não fizesse isso. A situação era extrema e se alguém dissesse que usar uma banana desse certo, eu usaria. Então assumi toda a responsabilidade da equipe’’, disse o cirurgião.
De acordo com o presidente do CRM, Luiz Salim Emed, esta ‘‘foi uma medida extrema heróica na tentativa de preservar a vida’’. O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, José Wanderley Neto, também apóia o médico. Emed afirma que o CRM não vai tomar nenhuma atitude contra Gregori. ‘‘Pedimos que a sociedade entenda certas situações com as quais os médicos se deparam. Às vezes, em situação extrema, temos de sair do convencional e usar a inspiração’’, afirmou Emed. Ele disse que o cirurgião Gregori é ‘‘um profissional competente’’ e que se ele não tivesse usado a cola a paciente poderia ter morrido.
Com 26 anos de profissão, Gregori é formado pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo e fez residência em cirurgia geral e cardíaca na Universidade de São Paulo, com o professor Euclides Zerbini. Já realizou 11 mil cirurgias cardíacas e tem 70 trabalhos publicados no Brasil e no exterior. É autor também de seis técnicas inéditas sobre esse tipo de cirurgia, e diz que vai abordar o uso de superbonder nos meios científicos em encontro em São Paulo.

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