Agência Folha
De São Paulo
O Conselho Regional de Medicina (CRM) da Paraíba vai abrir, a partir de hoje, um processo de sindicância em três hospitais do município de Campina Grande (PB) para apurar as causas da morte da aposentada Guiomar Rodrigues de Lima, 60 anos, segunda-feira à noite. De acordo com denúncias, a morte aconteceu porque os hospitais Antônio Targino, Pedro 1º e Clipsi se recusaram atender a aposentada que estava ferida após um acidente. O motorista de um caminhão que socorreu Guiomar passou pelos três hospitais em busca de atendimento.
No último hospital procurado, o Clipsi, algumas pessoas jogaram pedras em protesto pela falta de atendimento. Segundo o presidente em exercício do CRM, José Mário Espínola, os funcionários dos três hospitais que estavam de plantão serão ouvidos por uma comissão para apurar se houve negligência.
O superintendente do hospital Pedro 1º, Benedito Pereira de Vasconcelos, alegou que não pôde prestar o socorro a Guiomar porque toda a equipe médica estava ocupada no atendimento a outros feridos. ‘‘As quatro salas cirúrgicas do hospital estavam ocupadas ao mesmo tempo, inclusive com duas pessoas envolvidas no mesmo acidente.’’ ‘‘Não havia motivo para que o hospital evitasse os primeiros atendimentos se ela estivesse viva’’, disse o diretor administrativo do hospital Clipsi, José Arnaldo Silva.
Para ele, o hospital foi apedrejado porque passavam muitas pessoas que comemoravam, próximo ao local, o aniversário de 135 anos de Campina Grande. ‘‘Com o quadro ruim da paciente e a aflição do motorista, as pessoas
começaram a ficar revoltadas e apedrejar o local. A mulher já chegou aqui morta.’’ A direção do hospital Antônio Targino não foi encontrada pela reportagem da Agência Folha até o final da tarde de ontem.

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