CRM ameaça interditar Hospital de Foz do Iguaçu
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
Rafael Fantin <br>Reportagem local 
Foz do Iguaçu - O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) notificou na última segunda-feira o Hospital Municipal Padre Germano Lauck, em Foz do Iguaçu, e deu prazo de 90 dias para regularização dos atendimentos e das condições de trabalho oferecidas aos profissionais de saúde. Esse é o terceiro hospital do Estado que recebe o indicativo de interdição ética em dezembro. No último dia 11, o Hospital Universitário (HU) de Maringá e o São Rafael, em Rolândia, foram comunicados do prazo de 180 dias para sanar as irregularidades apontadas pelo conselho paranaense. Caso contrário, os hospitais podem ser impedidos de exercer qualquer tipo de atendimento após os prazos estipulados.
Segundo o CRM, os fiscais e os relatórios dos médicos responsáveis pelas direções técnica e clínica do hospital em Foz do Iguaçu apontam para problemas nas escalas de trabalho, com carência de profissionais de diversas áreas, equipamentos desativados por falta de manutenção, não reposição de materiais e medicamentos e ainda atrasos nos pagamentos dos médicos.
De acordo com o conselho, duas comissões foram constituídas para reverter o atual quadro crítico do hospital. "Dentre os muitos problemas observados estão o fechamento da ala de ortopedia, a falta de pediatras no período noturno e equipamentos sem condições de uso, comprometendo procedimentos cirúrgicos e aumentando os riscos aos pacientes", afirmou o CRM em nota.
O Hospital Municipal de Foz do Iguaçu suspendeu a realização de cirurgias eletivas por falta de estrutura para os procedimentos. Com uma dívida estimada em R$ 40 milhões, o local corre o risco de fechamento. Na sexta-feira, a prefeitura confirmou o repasse do governo do Estado em R$ 7 milhões. De acordo com o município, parte dos recursos serão utilizados para pagamentos de salários atrasados de médicos e funcionários.
Em entrevista à FOLHA, o secretário municipal de Saúde, Gilber da Trindade Ribeiro, disse que os problemas serão solucionados em aproximadamente 60 dias, sendo que, no último mês, novas visitas do CRM podem ser realizadas para readequações antes do fim do prazo. "Já temos um acordo com os profissionais para pagamento dos retroativos, negociamos dívidas com fornecedores e aparelhos vão passar por manutenções, além da compra de novos equipamentos. Garanto que hospital não vai fechar", afirmou.


