Londrina – O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) tem alertado para a atuação de falsos médicos no Estado. Recentemente três casos foram registrados em Curitiba, Apucarana e Foz do Iguaçu. O Conselho garante que tem aumentado a fiscalização para diminuir o exercício ilegal da medicina.
No início deste mês, o CRM detectou a ação de um falso médico em Foz, que utilizou o nome e o número de CRM de um profissional que trabalha em Londrina, para prestar serviços em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). A denúncia foi encaminhada para as polícias Civil e Federal, mas o homem já havia deixado a cidade e não foi localizado. "Infelizmente ele foi mais rápido e conseguiu fugir antes. Ele já havia praticado ilegalmente também a medicina na região do litoral", disse o presidente do CRM-PR, Maurício Marcondes Ribas.
De acordo com Ribas, a atuação de falsos médicos sempre aconteceu, mas, segundo ele, tem aumentado em virtude da presença de mais profissionais de fora do país, sobretudo com o Programa Mais Médicos, do governo federal. "Perdeu-se um pouco o controle e com isso as pessoas mal intencionadas se aproveitam da situação. Acabou ficando mais fácil", frisou o presidente.
Diante desse quadro, os contratantes, privados ou públicos, precisam ficar atentos. Segundo o CRM é fundamental verificar todos os documentos do profissional, como diploma e carteira de identidade médica, que desde 2009 passou a ser expedida pela Casa da Moeda, com modernos itens de segurança. "Os novos profissionais já possuem uma carteira digital, que dificulta a falsificação. É importante que os os contratantes observem atitudes incompatíveis dos profissionais, como consultas e receitas fora dos padrões e se for constatada alguma regularidade ou dúvida entrar em contato com o CRM", indicou Ribas.
O Conselho auxilia no processo fornecendo e conferindo dados dos profissionais habilitados no Estado. Todas as denúncias são encaminhadas à polícia para que a investigação possa ser concluída. "O trabalho de falsos médicos traz riscos diretos para a população atendida. Não vamos conseguir erradicar este trabalho irregular, mas com um controle maior e mais rígido poderemos diminuir muito", ressaltou Maurício Ribas. O CRM também orienta que os profissionais que perderam ou tiveram furtados os documentos médicos devem registrar um boletim de ocorrência e comunicar o Conselho.
Os falsos profissionais se aproveitam da fragilidade da lei. O exercício ilegal da medicina é um crime de menor gravidade e por isso não prevê prisão. "Infelizmente, a lei é antiga e indica apenas um Termo Circunstanciado (Tcip), apesar de ser uma ação que pode causar consequências graves nos pacientes", lamentou a delegada Araci Carmen Vargas, da Delegacia de Crimes contra a Saúde (Decrisa).

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