Londrina - O vazamento de um vídeo polêmico na internet, da cirurgia realizada no Hospital Universitário (HU) de Londrina para a retirada de um peixe do intestino de um homem, tem causado muita repercussão e indagações. Uma delas, é com relação à punição dos envolvidos na gravação dos vídeos, bem como sua veiculação. A reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que é responsável pelo hospital, já se pronunciou a respeito dizendo que determinou a abertura de uma sindicância administrativa para averiguar a participação de cada um presente na sala de cirurgia. A investigação tem até 60 dias, a partir da data de instauração, para ser concluída.
Segundo o presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM) do Paraná, Alexandre Gustavo Bley, a entidade também abrirá sindicância para apurar se existe participação de médicos na gravação e divulgação do material na internet. ''O Conselho tem jurisdição sobre os médicos, mas, pelo que verificamos, havia muitas pessoas dentro da sala, inclusive de outras áreas, o que é outro fato que será questionado pela sindicância'', explicou.
Segundo ele, um ofício será encaminhado ao HU para identificar o médico responsável pela cirurgia e as outras pessoas que estavam na sala. ''Vamos questionar a direção do hospital e os profissionais médicos. Pessoas de outras áreas que estavam na sala podem ser eventualmente ouvidas como testemunhas, mas o CRM não vai tomar qualquer atitude contra elas'', esclareceu.
Bley afirmou também que vazamentos de informações da forma como ocorreu durante a cirurgia em questão não são comuns. Segundo ele, muitas vezes são realizadas fotografias ou gravações de procedimentos para divulgação com fins pedagógicos, como apresentação em aulas ou congressos. ''As imagens são sempre feitas com consentimento do paciente e resguardando a identidade dele'', esclareceu.
Caso haja comprovação da responsabilidade dos médicos, ele esclarece que os mesmos terão de responder a processo ético-profissional e, caso sejam considerados culpados, podem ser punidos com advertência ou censura confidencial (encaminhada apenas ao médico), censura pública, suspensão do exercício da profissão por até 30 dias e, no extremo, a cassação do diploma.
O presidente do CRM avalia que o caso, da maneira como repercutiu e independentemente da apuração da responsabilidade, já é prejudicial à imagem e à credibilidade da classe médica.
Sobre a possibilidade de acadêmicos estarem envolvidos, ele considerou o fato ''lamentável''. ''O CRM vê com tristeza a situação de futuros colegas que podem estar iniciando a vida profissional com um viés que não é o mais adequado.''

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