Belgrado, 27 (AE-AP) - Os críticos e partidários do presidente Slobodan Milosevic na Iugoslávia deploraram da mesma maneira seu indiciamento pelo tribunal de crimes de guerra da Iugoslávia, mas algumas de suas vítimas fora da Sérvia receberam a decisão com satisfação.
"Agora Milosevic está contra a parede e não há incentivo para que ele se comprometa", disse Vojin Dimitrijevic, diretor do Centro de Direitos Humanos de Belgrado.
O governo iugoslavo manifestou que os indiciamentos foram uma tentativa de esconder "o genocídio da Otan contra o povo iugoslavo" e minar os esforços para uma paz negociada.
"Louise Arbour é apenas um boneco nas mãos dos senhores da guerra", dizia um comunicado do governo.
Cidadãos iugoslavos em Belgrado rejeitaram o indiciamento como mais um erro de alvo da Organização do Tratado do Atlântico Norte.
"Isto é como apagar fogo com gasolina", disse Andjelka Savic
uma professora aposentada de 79 anos. "A Otan é burra mesmo."
Sanja Ilijin, uma dona de casa de 23 anos, acrescentou: "O que vão fazer agora? Prender todos nós? Questões como a de Kosovo deveriam ser discutidas aqui na Sérvia. Nós deveríamos decidir quem são os culpados.
Aliados de Milosevic em Montenegro disseram que o anúncio atende a desejos escusos da Otan. "Agora Milosevic é proclamado criminoso de guerra, mas não (Bill) Clinton, (Tony) Blair e outros líderes políticos da Otan que estão bombardeando nossas igrejas, monastérios e jardins de infância", disse Zoran Zizic, vice-presidente do Partido Socialista do Povo, aliado de Milosevic em Montenegro.
Zizic disse que o tribunal "perdeu sua dignidade" porque a decisão "foi baseada na força, em aviões e mísseis Tomahawk, em vez de se basear na justiça".
Mas Sadri Godanci, um proeminente advogado de Pristina que hoje está entre os 250.000 albaneses étnicos refugiados na Macedônia, disse: "Prender Milosevic seria a maneira lógica de acabar com a guerra. Seria uma vergonha se ela acabasse de outro jeito. É evidente que ele é um criminoso de guerra, não apenas em Kosovo, mas na Bósnia e na Croácia. Ele ordenou todos os assassinatos."

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