Críticas de ONG e de produtores
Gustavo Góes, educador ambiental da ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE), acredita que a criação do ICMBio foi um grande avanço na administração das UCs federais, mas aponta que as restrições orçamentárias que atingem todo o Ministério do Meio Ambiente impedem a gestão efetiva das áreas protegidas. ''A maioria das UCs federais do Paraná existe na teoria, mas não tem a gestão adequada por falta de recursos. A única que funciona é o Parque Nacional do Iguaçu, em que a gestão é terceirizada.''
O Parque do Iguaçu, que tem parte de sua área concessionada para atividades turísticas privadas, é a unidade de conservação federal do Paraná com maior número de funcionários: 81, sendo 72 empregados terceirizados e nove servidores de carreira do ICMBio.
''A gestão de uma unidade de conservação deve ser feita em várias frentes. Uma UC deve ser aberta para a população do entorno, propiciar ações de educação ambiental. Se ela é criada apenas no papel, fica aquela coisa fechada, a que ninguém tem acesso, e que no final não é tão fechada assim, porque pela falta de fiscalização muita gente entra para caçar, extrair vegetação nativa.'', afirma Goes.
Os produtores rurais do Paraná também criticam a forma como unidades de conservação federais foram criadas nos últimos 20 anos. Carla Beck, engenheira agrônoma da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), afirma que em muitas situações o processo é impositivo, sem a devida consulta à população e aos produtores locais, o que motiva contestações na Justiça.
''A federação não é contra a criação de UCs. O que sempre cobramos é que se dê a devida notoriedade à ideia de criação da unidade, com audiências públicas amplas, que consultem todos os interessados, e sem que haja incorporação de áreas produtivas'', justifica. (F.G.)





