Críticas de governadores fazem Itamar faltar a reunião
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terça-feira, 06 de julho de 1999
Por Ivana Moreira 
Belo Horizonte, 07 (AE) - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), continua irritado com seus colegas de Estado e, por isso, não vai à próxima reunião de governadores, em Aracaju, no dia 15. Em nota oficial distribuída hoje, Itamar faz referências às críticas que sofreu por parte dos governadores - incluindo nomes do bloco de oposição - em relação à moratória. "Linguagem descortês, ameaças que continuam, esquecendo que não sou um interventor subordinado ao governo federal", diz o governador.
Itamar alega não compactuar com os espírito anti-federalista de "certos governadores". Ele deverá ser, mais uma vez, a única ausência num encontro de governadores. O governador de Minas Gerais recebeu ontem (06) o telefonema do governador de Sergipe, Albano Franco (PSDB), reiterando o convite para o encontro e deu imediatamente a resposta negativa.
Itamar decidiu que não vai também à reunião prévia dos governadores do Nordeste, sexta-feira (09), no Recife. O encontro para definir uma pauta conjunta de reivindicações ocorrerá em paralelo a uma reunião da Superintendência de Desenvolvimento do Norteste (Sudene), da qual Minas Gerais faz parte, apesar de ser Estado da Região Sudeste.
Na nota, insinua que as reuniões anteriores deram em nada. "O que deu a carta de São Luís?", questiona. Segundo ele
diante da contínua e deliberada ação da União contra Minas Gerais, a presença dele em Aracaju é desnecessária. "Haveremos de lutar e ter paciência na espera de mudanças, sejam elas quais forem", acrescenta, no fim da nota.
O governador de Minas Gerais foi a única ausência na reunião de governadores com o presidente Fernando Henrique Cardoso, realizada na Granja do Torto, em fevereiro. Na época, ele foi acusado de isolamento político.
Costumava defender-se, afirmando que não acreditava nos resultados do encontro. Depois de cinco meses do encontro na Granja do Torto, os governadores querem reunir-se novamente para cobrar promessas que não foram cumpridas. Para Itamar, o descontentamento dos colegas é prova de que quem estava certo era ele: ficar de fora foi a melhor decisão.
Logo depois de tomar posse e decretar a moratória, o mineiro havia sido o primeiro a sugerir um encontro de governadores para discutir a renegociação da dívida mobiliária dos Estados com a União. Ele foi o anfitrião da primeira reunião dos sete governadores de oposição realizada em 18 de janeiro, em Belo Horizonte.
Itamar compareceu ainda ao segundo encontro do grupo, em Porto Alegre. Mas, depois disso, irritado com críticas que recebeu de colegas, como o governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), decidiu romper com o grupo e não aceitou nenhum outro convite para reuniões.


