Críticas caracterizam FHC como insensível, diz Lamounier
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 09 de agosto de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 10 (AE) - Além do nível de popularidade mais baixo desde que assumiu em 1994, o presidente Fernando Henrique Cardoso está sendo caracterizado como uma "pessoa insensível às questões sociais", em decorrência das críticas feitas ao governo pelo senador Antônio Carlos Magalhães e pelo ex-ministro Luís Carlos Mendonça de Barros. A análise é do cientista político Bolivar Lamounier.
Se a popularidade de Fernando Henrique ainda pode cair mais um pouco, Lamounier ponderou que os altos e baixos do presidente estão ligados ao desempenho da economia. O "conforto econômico" do brasileiro, segundo ele, condiciona a popularidade presidencial. Uma hipotética substituição do ministro Pedro Malan, da Fazenda, na avaliação do cientista político, não traria melhoria no apoio popular que o presidente tem hoje.
Lamounier não acredita na saída de Malan, em função das críticas recentes e crescentes à equipe econômica, dizendo que Fernando Henrique sempre mostrou determinação na defesa da atual política. "Se ele fizer isso, é o caminho para se arrebentar", apostou Lamounier, da consultoria MCM. Para vencer "esse constrangimento", o governo precisa melhorar sua comunicação social, mostrando mais suas obras sociais.
"O presidente Fernando Henrique perdeu apoio popular, mas ninguém capitalizou isso", afirmou Lamounier. A perda teria vindo em consequência da desvalorização do real, que gerou insegurança entre a população, principalmente com a alta da inflação. As críticas de ACM e Mendonça de Barros não estão "capitalizando" o interesse da sociedade.
De acordo com o cientista político, tanto o senador como o ex-ministro estão procurando se fortalecer, ao criticar FHC. A proposta de um fundo contra a pobreza, feita por ACM, foi, no entanto, vista como "demagógica" pela sociedade. Ele estaria "radicalizando o discurso", atacando Malan, porque ficou refém do próprio discurso.
A retomada do crescimento, defendida por Mendonça de Barros, é um "discurso útil", embora "inviável a curto prazo", segundo Lamounier, que não acredita em fortalecimento da tese.


