Críticas ao auxílio-moradia une novamente FHC e ACM
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terça-feira, 29 de fevereiro de 2000
Por Christiane Samarco 
Brasília, 01 (AE) - Mágoas à parte, os presidentes da República, Fernando Henrique Cardoso, e do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), estão juntos mais uma vez. A nova parceria foi produzida pela crise no Judiciário, com o auxílio moradia de R$ 3 mil que evitou a greve geral dos juízes, mas revoltou a opinião pública. Neste episódio, os dois estão jogando no mesmo time contra os juízes, e o senador proclama as convergências: "Estamos muito bem", sentencia.
Mas o Palácio do Planalto sabe que a aliança é específica. "Essa calmaria é passageira; daqui em diante, o relacionamento entre os dois será mesmo na base de alianças pontuais, de acordo com a conveniência de ambos", resume um colaborador de Fernando Henrique. A relação entre os dois sempre foi tensa, pelo simples fato de que o senador ganha espaço nacional no contraponto ao presidente.
Mas o informante salienta que, depois das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) do Judiciário e do Sistema Financeiro, e da crise cambial de 1999, a tensão permanente ganhou um ingrediente novo: a desconfiança.
ACM insiste que os dois têm conversado muito e sustenta que não surpreendeu Fernando Henrique com a defesa do salário mínimo equivalente a US$ 100. "Já tivemos a mesma conversa antes, quando o Serra (ministro da Saúde, José Serra) era ministro do Planejamento e defendia um salário de 76 reais", lembra o senador. Naquela ocasião, ele venceu a briga. "O presidente ouviu-me e bancou o aumento de 70 para 100 reais, o que correspondia a US$ 120", completa.
Não é o que pensa um assessor presidencial que acompanha diariamente, no computador, todos as reuniões marcadas no Congresso e todos os assuntos que estão em pauta no plenário e em cada uma das comissões técnicas permanentes e especiais. Apesar de todo o esforço palaciano na tentativa de tentar antecipar "o movimento seguinte" de ACM, tem sido impossível evitar as surpresas desagradáveis para o chefe. "Uma das características recorrentes na ação do senador é a surpresa e essa história do salário mínimo foi raio em céu de brigadeiro", define o assessor, ao lembrar que o assunto surgiu "em uma reunião inocente do PFL".
A avaliação predominante no Planalto é de que o senador é um aliado indispensável ao governo, mas as críticas e pitos públicos dele são extremamente danosos à autoridade presidencial. "Paz prá valer nunca houve; o que ocorre é que, às vezes, o senador reduz os decibéis", analisa um amigo do presidente. Para consolo do Planalto, sobra a constatação de que ACM não se beneficia, diante da opinião pública, dos estragos na imagem presidencial produzidos pelo contraponto de estilo que faz ao presidente. Pelo menos, não na mesma proporção.
Mas, apesar de tudo, o senador insiste em atribuir a meras intrigas as notícias de insatisfações do Planalto. "Temos um traço comum, que é o Luís Eduardo", repete, referindo-se ao afeto que unia Fernando Henrique ao filho dele, ex-presidente da Câmara, morto por um enfarto fulminante há dois anos. "Além do mais, corrige, nunca faço reprimendas ao presidente, apenas observações."


