Brasília, 24 (AE) - O ex-governador do Distrito Federal Cristovam Buarque (PT) sugeriu hoje que o governo federal perdoe parte da dívida dos Estados com a condição de que seja aplicado em programas de bolsa-escola. Abrindo mão de cerca de R$ 500 mil e exigindo contrapartida em igual valor dos Estados, a União poderia, segundo Cristovam, erradicar o trabalho infantil no País.
"Não é um simples perdão, mas uma redestinação do dinheiro"
disse o ex-governador, informando que R$ 1 bilhão bastaria para pagar R$ 40,00 por mês, ao longo de um ano, a 2 milhões de famílias que matriculassem seus fillhos na escola. Segundo ele, há 4 milhões de crianças trabalhando no Brasil. "Está na hora de fazermos uma escolha e a educação deve ficar em primeiro lugar."
Amanhã (26), o presidente Fernando Henrique Cardoso reúne-se com os governadores para tratar das dívidas estaduais. De acordo com nota divulgada pelo Ministério da Fazenda na semana passada, a proposta de renegociação elaborada pelos governadores de oposição causaria um prejuízo de R$ 29 bilhões ao governo. O perdão proposto por Cristovam incidiria sobre menos de 2% dessa parcela.
O ex-governador propõe ainda a Fernando Henrique que apresente aos países ricos a mesma idéia em relação à dívida externa brasileira.Quanto à falta de recursos dos Estados para honrar a contrapartida, o ex-governador do DF disse ser necessário eleger prioridades. "É preciso diminuir a gasolina dos carros oficiais e cortar os desperdícios", argumentou, durante ato na sede do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, que apóia a iniciativa.
Cristovam revelou já ter conversado sobre o assunto com os governadores do Acre, do Rio Grande do Sul e de Mato Grosso do Sul, que teriam se mostrado receptivos. "Se fosse governador, iria negociar com a União outras porcentagens condicionadas a investimentos em saúde, trabalho e outros programas sociais", disse o ex-governador.

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