Paris, 08 (AE) - O ex-governador do Distrito Federal Cristovam Buarque (PT) condenou a idéia de uma "união dos trabalhadores contra a globalização" na América Latina e no Caribe. Durante debate sobre a "Visão das Novas Gerações", em seminário promovido pela Unesco e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Cristovam argumentou que tal aliança pode voltar-se contra o próprio povo, "por força do corporativismo sindical".
Sem ser contestado, o ex-governador citou o exemplo brasileiro da redução de impostos incidentes sobre a produção e venda de veículos, "para que os trabalhadores da indústria automobilística garantissem seus empregos". "O corporativismo sindical, protegendo apenas seus agregados, não pensou na baixa dos impostos sobre os alimentos, que beneficiariam o povo", criticou, admitindo divergir de seu partido sobre a questão. "O PT apoiou a medida e eu estou contra o PT nisso."
"Não adiantam as proclamações incendiárias, porque a época já não é para grandes revoluções, mas sim para as pequenas", disse Cristovam aos críticos da prevalência do mercado no modelo de globalização. "O mercado não é o caminho, mas está no caminho."
Na opinião do ex-governador, será por meio dos pequenos empreendimentos em favor da comunidade que "se forjarão os fundamentos de uma nova utopia social". Como exemplo dessas ações propôs o perdão de parcela das dívidas externas dos países do Terceiro Mundo em troca da execução de projetos educacionais ou realização de obras de saneamento.
Nos debates até agora no seminário, a adesão dos jovens a velhos slogans das lutas ideológicas ou à retórica contra o Fundo Monetário Internacional (FMI) tem merecido muitas vezes reações irônicas dos palestrantes. O executivo panamenho Juan Carlos Navarro, por exemplo, ressaltou um sentido de humor ou certa dose de cinismo no fato de haver aceito o convite para falar de desenvolvimento e Terceiro Mundo em Paris.

mockup