Jerusalém, 15 (AE-AP) - No aniversário dos 900 anos da subjugação de Jerusalém pelos cruzados, o grão-rabino israelense Yisrael Meir Lau deu as boas-vindas hoje(15) a cerca de 500 membros do grupo cristão evangélico Caminho da Reconciliação, que foram a Jerusalém pedir perdão pelas atrocidades cometidas por seus antepassados europeus.
"Antes tarde do que nunca", comentou Lau ao recepcionar os penitentes na Grande Sinagoga de Jerusalém. Ele aceitou o perdão, embora ressalvasse não saber se tem mandato para isso. Já o grão-mufti de Jerusalém, xeque Ikrima Sabri, observou que, "quando Jerusalém foi libertada dos cruzados, os líderes muçulmanos perdoaram os invasores". Os novos cruzados também pediram desculpas para todos os moradores de Jerusalém que encontraram pela frente.
Cerca de 2,5 mil cristãos provenientes de vários países iniciaram há mais de 3 anos uma peregrinação de 3 mil quilômetros desde Colônia, ponto de partida da primeira grande cruzada, até Jerusalém, com o objetivo de pedir perdão pelo massacre de quase 40 mil pessoas - predominantemente muçulmanos e judeus, mas também cristãos ortodoxos - na conquista da cidade em 1.099. Eles revezavam-se em grupos de 20. As cruzadas foram empreendidas depois de o papa Urbano II ter prometido o reino dos céus - e os depojos de guerra - a quem "libertasse" a cidade santa do jugo muçulmano.
"Ninguém jamais fez um esforço para desculpar-se pelas cruzadas", declarou um dos organizadores da marcha, Lynn Green. "Consideramos um privilégio, e também uma responsabilidade e obrigação, fazer isso hoje." Um dos peregrinos penitentes era o príncipe alemão Albrecht zu Castell-Castell, que se apresentou como descendente do conde Ludwig, um dos nobres que participou do massacre. Castell-Castell disse que os crimes de seu ancestral pesaram muito na sua consciência.

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