Crise no Mercosul preocupa empresários
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quarta-feira, 22 de setembro de 1999
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 23 (AE) - A briga entre o Brasil e Argentina provocou uma grande preocupação nos empresários sobre a eventual cisão dos quatro países do Mercosul no momento em que o bloco se encontra no início de três negociações multilaterais de comércio. Os empresários acreditam que começou a ficar clara a necessidade de criar organismos supranacionais de arbitragem para resolver contenciosos comerciais, como o do setor calçadista brasileiro-argentino, e o estabelecimento de metas macro-econômicas entre os países do Mercosul. A preocupação foi transmitida ao Itamaraty, representado pelo conselheiro Antônio José Ferreira Simões, que substituiu o embaixador José Alfredo Graça Lima no seminário "ALCA e a Participação Empresarial", promovido hoje pela Fiesp.
"Não se trata de copiar uma Bruxelas", disse o diretor da Divisão ALCA/OMC da Fiesp, Mário Mugnaini Junior, em referência ao Tratado de Maastricht, que estabeleceu os parâmetros da União Monetária Européia. Para Mugnaini, resolver problemas comerciais como o caso da Embraer e a canadense Bombardier, no âmbito da OMC, custa muito caro. "Contratar advogados a US$ 10 mil a hora não acho uma boa solução", disse o executivo da Fiesp. De acordo com ele, se não forem definidas metas macroeconômicas, os problemas comerciais no Mercosul continuarão a surgir.


