Crise no Mercosul leva a realziação de cúpula de chanceleres
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domingo, 11 de abril de 1999
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 12 (AE) - O chanceleres do Brasil e da Argentina, Luiz Felipe Lampréia e Guido Di Tella, se reunirão no próximo domingo, em Brasília. O motivo do encontro é a mais recente crise do Mercosul, causada pelas negociações que o Brasil está tendo com a Comunidade Andina de forma separada dos seus sócios do bloco comercial do Cone Sul. Além disso, os chanceleres e seus técnicos analisarão as formas de retirar o Mercosul do estancamento em que está submerso. As negociações do Brasil com os países andinos começam um dia depois, na segunda-feira.
A decisão brasileira de negociar separadamente com a Comunidade Andina, anunciada na semana passada, desagradou a Argentina e ao Uruguai. O sub-secretário de Comércio Exterior da Argentina, Félix Peña, sustenta que o Brasil não pode negociar de forma isolada com os andinos. Segundo Peña, "existe um compromisso de negociação conjunta do Mercosul com outros blocos".
O embaixador brasileiro em Buenos Aires, Sebastião do Rego Barros, defendeu a posição do Brasil, afirmando que a Argentina abriu um precedente, quando no ano passado fez um acordo comercial com o México, separado do Mercosul. A atitude, que foi imitada pelo Uruguai, teve um impacto profundamente negativo na diplomacia brasileira, que se sentiu traída pelos vizinhos do rio da Prata.
Além disso, os chanceleres discutirão outros temas pendentes que precisam ser resolvidos antes de 1º de janeiro do ano 2000, quando o bloco comercial passará a ter tarifa alfandegária zero: o regime automotivo e o conflito do açúcar.
Nesta segunda-feira, após uma reunião com o chanceler paraguaio, Miguel Abdón Saguier, o chanceler Di Tella disse que "não é grave" que o Brasil negocie com o México separadamente do Mercosul. Di Tella afirmou que no domingo que vem esse assunto será tocado, "quando falarmos com nossos amigos brasileiros".


