Arquivo/FolhaEm baixaAngústia e tensão marcam a vida dos operadores na bolsaNo auge da crise econômica de 1989, os argentinos reduziram suas relações sexuais de quatro para uma vez por semana. Um ano depois, veio o efeito Orloff e o brasileiro passou a sofrer dos mesmos problemas. Desta vez o Brasil saiu na frente. O médico paulista Roberto Emmanoel Tulli atendia, em média, cinco ou seis clientes por dia, em sua clínica que trata de impotência, antes da crise nas bolsas e do pacote fiscal. Depois disso ele precisou aumentar o número de consultas diárias para oito e a fila de espera já é de três meses. Detalhe: metade dos homens que procuram a clínica é constituída de operadores de bolsa, investidores e profissionais de informática; e 57% deles têm menos de 35 anos.
Dizem os especialistas que a parte sexual funciona normalmente quando todo o organismo está bem. Quando o cidadão passa por uma fase de angústia e tensão, a consumação do ato sexual torna-se mais complicada, em boa parte dos casos. E, se a vida sexual do casal é abalada, a vida conjugal também se complica.
As principais queixas apresentadas pelos pacientes são diminuição abrupta da libido, falhas eréteis assíduas, ereções noturnas fugazes e aumento do tabagismo e do etilismo. ‘‘Quase todos vinham à clínica dizendo que já estavam tomando, por conta própria, barbitúricos e hipnóticos para conseguir dormir’’, diz Tullii. Na maioria dos casos, conta o médico, trata-se de um problema passageiro de ordem psicológica. Em parceria com o psiquiatra José Barone, Tullii procura explicar isso aos pacientes, argumentando que as eventuais falhas decorrem de descargas excessivas de adrenalina e de pouco sono, motivadas pela tensão do trabalho.
Barone e Tullii pedem aos pacientes que preencham um questionário para medir seu nível de estresse. A primeira recomendação que fazem é que os clientes troquem os remédios por atividades mais relaxantes, pelo menos três vezes por semana, como massagens e passeios a locais com muito verde. ‘‘Os barbitúricos e hipnóticos podem agravar o problema e transformá-lo de psicológico em orgânico’’, explica Tullii. ‘‘Em hipótese alguma o paciente deve tomar remédio sem acompanhamento médico.’’
O especialista relata casos em que o paciente toma hormônios por conta própria. Isso pode trazer-lhe benefícios imediatos, porém os prejuízos potenciais são imprevisíveis. Mesmo quando procura ajuda de profissionais, o paciente precisa ter cuidado. ‘‘Recebi cinco casos em minha clínica de pessoas que foram orientadas a colocar prótese peniana para resolver o problema e não havia necessidade disso.’’
Para quem passa pelo problema da impotência, Tullii recomenda que procure uma clínica multidisciplinar, com profissionais de urologia, psiquiatria e até medicina ortomolecular.

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