Londrina – A crise no serviço de urgência e emergência pode ter feito a primeira vítima fatal do ano em Londrina. Trata-se do operador de máquinas Nivaldo Xavier, de 43 anos, que não resistiu enquanto era levado por um parente do Pronto Atendimento Municipal (PAM), no Centro, ao Hospital da Zona Norte (HZN).
Com dores abdominais, o paciente procurou atendimento no PAM. Depois de passar por exames, ficou em observação até o início da tarde quando houve a oportunidade de ser transferido para um hospital secundário. A família foi avisada que, por falta de ambulâncias, a transferência poderia demorar mais de duas horas. "Ela (enfermeira) perguntou para mim se eu poderia levá-lo meu carro. Era meu irmão, você acha que eu não iria ajudá-lo? Mas quando a gente chegou ao hospital, ele já estava sem vida", lamentou o irmão da vítima, Luiz Renato Xavier.
A família promete acionar a Justiça. "Com certeza vamos processar o município. Fomos tratados como cachorros e quero justiça para que ninguém sofra como a gente", afirmou Luiz Renato Xavier. O promotor de saúde pública, Paulo Tavares, foi procurado pela reportagem, mas está em férias.
A Corregedoria Geral do Município vai apurar administrativamente se houve falha humana no procedimento. "Até para dar mais transparência e evitar qualquer tipo de comentário", explicou o secretário de Saúde, Francisco Eugênio de Souza.
Ele já assinou empenho para conserto das ambulâncias quebradas. Ontem, apenas três dos dez veículos tentavam dar conta das 150 intervenções diárias que o Samu realiza em Londrina. "É reflexo da gestão passada, que não fez manutenção prévia e muito menos contrato", apontou.
A crise no serviço de urgência e emergência parece não ter fim. Desde o início da semana os médicos do Samu estão usando um Uno cedido pela secretaria para atender ocorrências. O veículo não tem sirene e outros tipos de equipamentos necessários para o socorro adequado dos pacientes. "Entre a gente não ter nenhum e ter esse, melhor ficar com ele", enfatizou o diretor do Samu, Sérgio Canavese.
As três ambulâncias que estão na oficina só devem ser liberadas semana que vem. "A população fica desprotegida em vários aspectos. Estamos correndo para o quanto antes protegê-la, infelizmente foi essa a herança recebida", criticou o secretário.

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