São Paulo, 22 (AE) - A crise na Cemig não deve afastar o investidor estrangeiro do país, mas pode dificultar ou mesmo inviabilizar modelos de privatização parcial semelhantes ao adotado pelo governo mineiro. Na avaliação de um analista financeiro consultado pela Agência Estado, as ações do governador Itamar Franco contra os sócios privados na Cemig podem levar o investidor estrangeiro a evitar a participação como sócio estratégico em empresas nas quais o governo continue tendo participação. A fonte cita o caso da Celesc, empresa energética de Santa Catarina, cujo modelo em estudo prevê um controle compartilhado por sócios privados com o governo estadual e os trabalhadores. Ele acha difícil o capital externo, depois dos problemas enfrentados na Cemig, aceitar correr o risco de conviver com sócios estatais em outra empresa. "Mesmo que o investidor confie no governador, o caso Cemig mostrou que uma eleição pode mudar tudo", comentou.
Neste sentido, o analista considera que a crise na estatal mineira pode até ter um efeito colateral positivo: o de pressionar os governos estaduais a optarem pelo modelo de privatização total, como o adotado pelo governo federal e estados como São Paulo e Rio Grande do Sul (na gestão Brito). Privatizações totais, segundo a fonte, não devem ser afetadas pelo episódio da Cemig. Exemplo disto seria a Cesp Tietê, com leilão marcado para a próxima quarta, e que conta com vários interessados, inclusive estrangeiros. Quanto às privatizações federais do setor elétrico que ainda restam, o analista ouvido pela AE não se mostra otimista, mas não necessariamente por causa da Cemig. Ele observa que o mercado já contava com dificuldades maiores na venda das empresas geradoras, como Furnas e Eletronorte, que envolvem maiores interesses políticos. "O governo não conta hoje com a popularidade que tinha quando enfrentou as resistência para vender a Vale e Telebrás", disse o profissional.
De todo modo, as privatizações federais deverão acabar ocorrendo, ainda que de forma mais arrastada. Furnas, por ser uma empresa sediada em MG, pode sofrer algum efeito da postura antiprivatista de Itamar Franco, mas sua privatização, apesar dos atrasos, não deverá ser comprometida. O analista observa que a empresa, além de ser controlada pela União, deverá ter todo o controle repassado ao capital privado, sendo, desta forma, avaliada pelo investidor de forma diferenciada em relação à Cemig.

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