Rio - Pressionado pelo Ministério da Saúde (MS), que exigiu a exoneração de todos os funcionários que ocupam cargos de chefia no Instituto Nacional de Câncer, o diretor-geral do Inca, Jamil Haddad, pediu demissão ontem pela manhã. ''Depois da solicitação para que eu demita toda a estrutura funcional, não me sinto em condições de continuar à frente da instituição'', afirmou ao anunciar sua saída do instituto.
Haddad nomeou seu chefe de gabinete, o médico Walter Roriz, para ocupar interinamente o cargo até que o ministro Humberto Costa escolha o próximo diretor-geral. O ministério também vai enviar ao Rio três técnicos para apurar o que está causando a falta de, pelo menos, 90 tipos de medicamentos que são doados regularmente aos pacientes do hospital. ''Se realmente há desabastecimento dos estoques, o motivo não é financeiro porque dinheiro não falta. Os motivos são de ordem administrativa e vamos ter que descobrir o que aconteceu'', disse o secretário de Atenção à Saúde, Jorge Solla, que foi enviado pelo ministro ontem ao Rio.
A demissão de Haddad agrava ainda mais a crise iniciada na sexta-feira, quando cinco diretores de unidade entregaram seus cargos. Eles acusaram a coordenadora de Administração, Zélia Abdulmacih, de ser a responsável pela falta de medicamentos. Sem experiência em administração hospitalar, Zélia foi presidente da Fundação Parques e Jardins, secretária municipal de Esportes e é mulher do presidente da Câmara Municipal do Rio, Sami Jorge (PDT). Ela foi levada para o Inca por Haddad em abril. Zélia foi uma das exoneradas ontem.
O ex-ministro da Saúde Jamil Haddad defendeu sua coordenadora de Administração e se disse vítima de um complô político. ''Essa crise foi provocada por aqueles que não querem perder privilégios'', disse.
Segundo ele, nenhum dos diretores demissionários informou sobre a falta de medicamentos no hospital antes de entregar os cargos na sexta-feira. O ex-ministro ocupava o cargo de diretor-geral desde março deste ano.

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