Crise "mais urgente" entre Brasil e Argentina está sob controle, diz Lampreia
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quarta-feira, 29 de setembro de 1999
Por Adriana Ferreira 
Rio de Janeiro, 30 (AE) - O Ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, disse hoje (30) que a crise "mais urgente" entre Brasil e Argentina está sob controle com o acordo fechado entre os dois países nesta quinta-feira para exportação de papel e com os acertos feitos, ontem, para a área de calçados.
Para Lampreia, a única pendência reside na indústria têxtil. Ele, porém, acredita que assim que o impasse for resolvido (não há ainda reunião prevista) o Brasil passará "por um período de tranquilidade".
O ministro informou que não há negociações em pauta para o setor automotivo, uma vez que o acordo só termina em janeiro do ano que vem. "O setor automotivo não vai trazer dificuldades imediatas", observou.
Ainda sobre a crise Brasil-Argentina, o chanceler observou que o país foi obrigado "a subir o tom em alguns momentos", como forma de manter a unidade do Mercosul. "O Brasil não poderia ficar resignado, pois isto seria ruim para os dois países e poderia acarretar o fim do Mercosul", disse.
Para o ministro, o Brasil acabaria "pagando todas as contas" se assumisse as condições impostas pela Argentina. "Houve um bom senso por parte do governo argentino que desistiu negociar de forma genérica e optou por cuidar de situações específicas", disse. Lampreia esteve hoje à noite na Academia Nacional de Medicina, no Centro, para a palestra "O exercício da Medicina no Mercosul".
Embora não haja nada estabelecido sobre a circulação de mão-de-obra entre os dois países, o chanceler se declarou a favor da discussão de critérios antes de que qualquer resolução seja fechada.
O chanceler sugeriu que se faça contatos com países da Europa, que passam pela experiência do mercado comum. "A Europa, com o mercado comum, tem uma experiência importante e bem sucedida", ressaltou.
A fim de que não aconteça no país algo semelhante ao que ocorreu com os dentistas brasileiros em Portugal, Lampreia acha que os conselhos de Medicina devem ser consultados.


