Brasília, 03 (AE) - A crise econômica vivida pelo Brasil pode atrasar a implementação da reforma administrativa. O projeto para fixar o teto salarial dos funcionários públicos pode ser enviado apenas no meio do ano para o Congresso.
Se essas projeções se confirmarem, muitos servidores ficarão insatisfeitos, pois aguardam a fixação do teto para terem aumentos salariais.
Nessa categoria do funcionalismo, está a maioria dos juízes brasileiros. Sem aumento há quatro anos, eles vêm pressionando o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, para que se mobilize a fim de o projeto do teto ser enviado ao Congresso.
Mello é um dos quatro responsáveis pela redação do projeto. Os outros três são os presidentes da República, Fernando Henrique Cardoso, do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP).
Em dezembro, os quatro reuniram-se e decidiram que o teto deveria ser fixado em R$ 12.720,00 - valor recebido pelos ministros do STF que também dão expediente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse projeto deveria ter sido encaminhado ao Congresso segunda-feira (01).
Mas essa disposição foi reformulada depois da repercussão negativa obtida pela reunião. Mello pretende reunir-se ainda neste mês, em sessão fechada, com os outros ministros do STF para discutir se eles aceitam reduzir o valor para R$ 10,8 mil, como quer o Fernando Henrique.
Essa indefinição está desagradando a muitos juízes. Um novo ingrediente surgiu hoje nessa crise. O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Luiz Fernando de Carvalho, marcou uma audiência para hoje com Mello, deslocou-se do Rio, onde mora, para Brasília, mas foi avisado pouco tempo antes que o encontro não poderia ocorrer, sendo adiado para sexta-feira (05). Diante desse fato, Carvalho deveria entregar um memorando ao vice-presidente do STF, Carlos Velloso.
A primeira versão para o cancelamento do encontro com Mello foi de que o presidente do STF estava em São Paulo. A segunda versão foi de que ele não poderia receber o líder dos juízes porque estava ocupado com a análise de uma ação envolvendo dívidas do Estado de Minas Gerais com a União.

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