Johannesburgo - O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, abriu ontem pela manhã a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio +10, anunciando que seus temas principais são a pobreza e a ''crise ecológica global''. ''Não é segredo que a comunidade global não tem demonstrado disposição de cumprir os compromissos'' firmados no Rio há dez anos e que, nesse período, ''a degradação ambiental e a pobreza aumentaram'', afirmou Mbeki, nomeado presidente da conferência.
O objetivo dessa cúpula, reiterou, é adotar ''medidas práticas para alcançar resultados'' com base nos princípios consagrados na Agenda 21. ''Não temos nova agenda para descobrir. Não há necessidade de rediscutir o que já foi resolvido'', salientou o presidente. ''Temos agora é que mostrar que estamos comprometidos com a solidariedade humana, em lugar da lei do mais forte. Os povos do mundo esperam programas práticos para tornar esses princípios realidade.''
Compromisso - Negociadores dos 188 países representados na Rio+10 estão buscando um acordo sobre os 25% do Plano de Implementação da Agenda 21 sobre os quais não se chegou a consenso na reunião preparatória de Bali, entre maio e junho. O outro documento a ser firmado pelos chefes de Estado e de governo no dia 4 é uma declaração política, com o compromisso de executar o Plano de Implementação.
O secretário-geral da cúpula, o indiano Nitin Desai, também enfatizou o tema da pobreza. Ele lembrou o discurso de boas-vindas de Mbeki, feito domingo à noite, no qual o presidente sul-africano disse que a divisão entre ricos e pobres representa um ''apartheid global''.
O apartheid acabou, lembrou Desai, porque ''o resto do mundo'' não o considerou problema só dos sul-africanos, referindo-se às pressões internacionais para que a África do Sul pusesse fim ao regime de segregação racial. ''Da mesma maneira, a solidariedade será necessária para acabar com o apartheid global'', disse o indiano.
''Não temos o direito de desapontar bilhões de pessoas'', exortou o diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep), o alemão Klaus Töpfer, enfatizando que ''os pobres são as maiores vítimas do desenvolvimento insustentável''. Segundo Töpfer, essa será a cúpula da ''implementação, prestação de contas e parceria''. Com o objetivo de ''lutar contra a pobreza'', promover uma ''prosperidade responsável'' e uma ''globalização com face humana''.

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