Crise do Equador pode dificultar emissões
Quito, 27 (AE-DOW JONES) - Analistas ouvidos pela Dow Jones acreditam que a crise da dívida do Equador poderá dificultar o acesso dos países latino-americanos aos mercados internacionais de capital.
Com a incerteza sobre as taxas de juro nos Estados Unidos afastada, depois da última reunião do Fed, os próximos dois meses eram vistos como uma boa "janela de oportunidade" para os países da América Latina emitirem novos títulos.
O fim do ano já era visto como um período difícil, porque há entre os investidores a expectativa de problemas relacionados com o "bug do milênio". A crise equatoriana afetou aquela perspectiva.
"A emissão de dívida nova por parte da América Latina e dos países do Plano Brady, de uma forma geral, será bastante constrangida enquanto as negociações para a reestruturação da dívida do Equador estiverem em andamento", comentou Carl Ross, chefe de pesquisa sobre mercados emergentes da Bear Stearns.
Para o economista Ian Campbell, do BankBoston, "o Equador é mais um fator negativo que os emissores de países emergentes terão de superar. O default do Equador acontece num momento em que os fundamentos de vários países estão bastante frágeis".
Ele citou os casos da Argentina, onde haverá eleições presidenciais em outubro, e a Venezuela, que vive um período de turbulência política. Países com economias mais sólidas, como o México, deverão enfrentar menos dificuldades caso decidam recorrer ao mercado de capitais. Os observadores também disseram que o problema do Equador ainda não teve um impacto significativo no mercado de Bradies.
"O mercado reagiu notavelmente bem, até agora", comentou Jerome Booth, da Ashmore Investment Management, de Londres. Ele advertiu que o mercado pode ter desenvolvido uma "falsa sensação de segurança", pelo fato de o Equador ser um país pequeno e isolado.
Para Booth, aqueles que descartam a possibilidade de "contágio" podem estar cometendo "um grave erro". "O mercado está confiante que não haverá problemas. Eu espero que ele esteja certo", acrescentou.





