Montevidéu, 03 (AE-AP) - Uma crise diplomática entre Argentina, Paraguai e Uruguai somou-se hoje (03) à comercial que vive o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e que inclui o quarto e poderoso sócio, Brasil.
O governo paraguaio de Luiz González Macchi reagiu novamente contra a Argentina - que à noite recusou-se a extraditar o general Lino Oviedo - e contra o Uruguai, que ontem ratificou o asilo político do ex-ministro de Defesa José Segovia Boltes.
Até agora, o Paraguai não reclamou com o Brasil, onde está asilado Raúl Cubas, que renunciou à presidência depois do assassinato do vice-presidente Luis María Argaña.
A vida de oito anos do Mercosul se agitou violentamente nas últimas semanas por causa de uma guerra comercial surda entre Argentina e Brasil e o bloco se afundou numa crise da qual não consegue sair.
A crise se deve à guerra comercial entre Brasil e Argentina, que se criticam mutuamente por decisões unilaterais. O problema continua, apesar da realização de várias reuniões de alto nível, inclusive com Chile e Bolívia, que são membros associados.
Os distúrbios durante a noite em frente da embaixada da Argentina em Assunção fizeram recordar os tristes dias de março, depois do assassinato de Argaña, e as sangrentas manifestações até a renúncia de Cubas.
Centenas de manifestantes lançaram objetos contra a embaixada argentina e protestaram contra as decisões do governo de Buenos Aires e Montevidéu de manterem os asilos concedidos a Oviedo e Segovia.
Oviedo é acusado no Paraguai de ser o autor intelectual do assassinato de Argaña, e Segovia é responsabilizado pela suposta apropriação indébita de mais de US$ 450 mil.
O chanceler uruguaio Didier Opertti afirmou que ao ratificar o asilo de Segovia foi entendido que persistem as causas que deram origem à sua aceitação.
Segovia alegou que sofria perseguição política e que temia por sua vida e de sua família. Opperti baseou sua decisão em convenções internacionais sobre direito de asilo.
Por seu lado, a chancelaria argentina informou que havia devolvido à embaixada paraguaia o pedido de extradição de Oviedo, asilado na Argentina desde 29 de março, aplicando a legislação sobre direito de asilo.
Informes vindos de Assunção dão conta que, irritado com as decisões do Uruguai e Argentina, González Macchi boicotará a reunião de cúpula do Mercosul prevista para ser realizada de 6 a 8 de dezembro em Montevidéu.
Esta reunião será a última para os presidentes Carlos Menem, da Argentina, Julio M. Sanguinetti, do Uruguai, e Eduardo Frei, do Chile, que entregarão seus cargos entre dezembro e março próximos.

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