Crise derruba ganho de recicladores
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quinta-feira, 05 de fevereiro de 2009
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Londrina - Um grupo de recicladores de duas organizações não-governamentais da Zona Norte de Londrina fez um protesto ontem na Avenida Leste-Oeste chamando a atenção para as dificuldades do setor nos últimos meses. Por conta da crise econômica mundial, segundo os trabalhadores, os ganhos mensais caíram pela metade.
Os coletores de material reciclável fecharam o tráfego da via, o que provocou irritação dos motoristas. De acordo com integrantes do movimento, o objetivo era apenas sensibilizar quem passava pelo local, uma vez que a reciclagem de lixo é um serviço que beneficia toda a sociedade.
A presidente da ONG Reciclagem para um Futuro Melhor, Selma de Assis, revelou que outras manifestações serão organizadas se a administração municipal não encontrar alternativas para auxiliar os grupos. O problema, ressalta, é que os preços dos materiais recicláveis tiveram forte queda: o quilo do papelão, por exemplo, caiu de R$ 0,20 para R$ 0,08. Assim como os valores do ferro velho (R$ 0,22 para R$,0,06), alumínio (R$ 4,00 para R$ 1,00) e plástico (R$ 0,70 para R$ 0,30). Queremos garantir o ganho de pelo menos um salário (mínimo) e carteira assinada, declarou.
Há dois anos na ONG Reciclagem para a Saúde, Andréa Hilário Sales, 20, enfrenta dificuldades. O rendimento mensal caiu de R$ 350,00 para, no máximo, R$ 200,00. Nossa vida não é fácil. A gente coleta debaixo de chuva e de sol. Tem que triar todo o material. E na hora de vender é aquela decepção, lamentou.
O fechamento do tráfego na altura do cruzamento da Leste-Oeste com a Rua Itajaí irritou morotistas. Homens da Tropa de Choque foram acionados e negociaram com os manifestantes a liberação da via. O sargento Júlio César Rosseto informou que o objetivo era apenas garantir o fluxo de veículos, sem impedir o protesto. Com o fechamento (da avenida) existe até o risco de ocorrer um acidente, explicou o policial. No entanto, nenhum incidente grave foi registrado.
O diretor de Operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Paulo Bombassaro, explicou que o órgão está fazendo um mapeamento das ONGs para traçar um perfil dos trabalhadores e encontrar uma proposta para o setor. Ele acrescentou que a melhor alternativa é que os grupos, que são independentes, passem a fazer parte da Central de Pesagem e Venda (Cepeve).
O grupo de trabalho formado para solucionar a crise do sistema de coleta de recicláveis tem participação da Cepeve, CMTU, Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Conselho Municipal do Meio Ambiente e ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE).


