Crise brasileira faz empresários pedirem mais compensações
Montevidéu, 04 (AE-ANSA) - O governo do Uruguai anunciou ontem algumas medidas para melhorar a situação dos setores produtivos, abalados com a crise do real. Contudo, industriais e exportadores acham as medidas insuficientes.
Aproximadamente 30% da produção uruguaia se destina ao Brasil. As medidas que o governo começou a aplicar hoje objetivam basicamente reduzir os custos financeiros e fiscais da pesca, indústria automotriz e setor agropecuário. As autoridades acham que esses setores foram os mais prejudicados com a crise do real.
O "alívio" proporcionado a esses setores inclui o adiamento das datas de pagamento de Imposto sobre Patrimônio e contribuições à Previdência Social, que foram reduzidos para a indústria pesqueira. Queda nos impostos também beneficiaram as empresas exportadoras de veículos e as que exportam peças de carros de fabricação local. Foi suspensa também a cobrança de impostos de 0,21% que recai sobre as exportações de carne bovina e ovina, lã e produtos lácteos.
Por enquanto, o governo do presidente Julio María Sanguinetti não pensa em novas medidas para enfrentar os problemas originados pelo Brasil. Segundo o semanário Búsqueda, o governo considera que a economia local está pronta para enfrentar a crise e que tem uma situação financeira sólida.
O presidente da Câmara das Indústrias, Gualberto Rocco, disse que ainda este mês deve se reunir com seus colegas do Mercosul para analisar a situação regional. Segundo Rocco, as medidas adotadas pelo governo "são apenas um pálido reflexo do que nosso setor exige da equipe econômica". Víctor Angenscheidt, presidente da Câmara Nacional de Comércio, também quer mais auxílio da equipe do ministro da Economia e Finanças, Luis Mosca. "Os exportadores estão colocando seus produtos no Brasil pela metade do preço. Essas medidas não são suficientes", desabafou Angenscheidt.
Ele também pediu baixa de 23% para 14% do Imposto de Valor Agregado (IVA) para diminuir os efeitos da recessão. Outro pedido de Angenscheidt é para que o governo venda 49% das empresas públicas e consiga "novos fundos". Para ele, isso não atenta contra a vontade do povo, que em plebiscito já se declarou contrário às privatizações.
"O que os uruguaios querem é que 51% das empresas fiquem nas mãos do Estado". E acrescentou: "com a incorporação dos capitais privados, o Estado obterá dinheiro sem perder o controle das empresas estratégicas e, ao mesmo tempo, receberá suporte moderno para melhorar a eficiência da atividade do setor público".
Teresa Aishemberg, secretária-executiva da União dos Exportadores do Uruguai, considerou que as resoluções "ajudarão as empresas afetadas mas não resolverão seus problemas". Ela explicou que os empresários que exportam para o Brasil estão sendo forçados a renegociar seus preços.
O ministro Luis Mosca anunciou hoje que a projeção do índice de inflação para este ano é de 5%, apesar das alterações na economia do Brasil. A inflação em fevereiro ficou em 0,2%, com o que o índice dos últimos doze meses se situou em 7,4%, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas (INE).





