São Paulo, 22 (AE) - O volume do comércio mundial no ano passado apresentou considerável desaceleração devido aos efeitos da crise econômica na ásia, informa relatório da Oraganização Mundial do Comércio (OMC) divulgado hoje em Genebra e à disposição no site da entidade desde o dia 16 deste mês. As transações comerciais (exportações mais importações) aumentaram 3,5% em 1998, muito abaixo do crescimento de 10,5% em 1997 e ainda aquém da média anual de 6,0% entre 1990 e 1995. A OMC afirma que a desaceleração no comércio mundial se deve, fundamentalmente, à queda de 8,5% das importações das países asiáticos.
Embora o resultado mostre o forte impacto da crise asiática no comércio mundial, a América Latina apresentou um dos maiores crescimentos no volume de exportações, com 6,5%, acima dos 5% das vendas externas da União Européia , dos 3% da América do Norte e bem superior aos 1% da ásia, mostra o relatório. Apesar de positivos e superiores aos de outras regiões, os dados das exportações latinoamericanas mostram uma mudança brusca em relação aos anos anteriores.
Em 1997 e 1996, por exemplo, o volume das exportaçõs da latinoamericanas havia crescido 11% e, entre 1990 e 1995, o crescimento médio foi de 8%.
Mesmo afetada pela crise econômica na ásia, a América Latina continuou a importar, mas bem menos do que nos anos anteriores. As importações latinoamericanas cresceram 9,5% em 1998, taxa bem abaixo do significativo crescimento de 22% em 1997 e dos 12%, em média, entre 1990 e 1995.
Já os países asiáticos, afundados na crise que começou em meados de 1997, acabaram reduzindo as suas importações de forma significativa. NaTailândia, por exemplo, as importações no ano passado caíram 33% em relação a 1997. A Malásia reduziu em 26%; Cingapura, 23%; Japão, 17% e Hong Kong, 12%.
Apesar de o comércio mundial ter crescido 3,5% no ano passado, em termos de receita (dólares) os dados mostram queda de 2%, tanto no comércio de mercadorias como no de serviços. As exportações e importações de mercadorias no mundo em 1998 somaram US$ 5,225 trilhões, abaixo dos US$ 5,325 trilhões em 1997 e pouco acima dos US 5,15 trilhões em 1995. O comércio de serviços - também em termos de receita - caiu de US$ 1,32 trilhão, em 1997, para US$ 1,29 trilhão.
O resultado das exportações da América Latina no que se refere a receitas também não foi muito animador, mas ainda assim melhor ao desempenho apresentado pelos países asiáticos. As receitas das exportações latinoamericanas no ano passado caíram 2%, somando US$ 274 bilhões.
Já as receitas da ásia, tiveram uma queda de 6%, chegando a US$ 1,294 trilhão. Isso se deve, de acordo com a OMC, à queda dos preços das matérias-primas, à redução do fluxo de capital privado para essas regiões e à contração dos mercados de exportação, tanto na América Latina como na ásia.
"Os preços dos insumos caíram 15%, em média, no ano passado e os do petróelo, 30%", diz a OMC. Para a entidade que rege o comércio mundial, a retração dos preços do petróleo contribuiu para uma redução de 2% no valor das mercadorias exportadas pela América Latina.
Para este ano, a OMC estima que que não devem haver muitas mudanças em relação aos números apresentados em 1998, embora se espere uma ligeira recuperação econômica na ásia, onde a forte contração da produção e do coméercio "parece ter tocado o fundo do poço", afrima a OMC.

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