CRISE AMBIENTAL - Igapó pode voltar a transbordar
A chuva que assolou a região nos dias 15 e 16 deste mês não se limitou a destruir casas, pontes, ruas. O intenso volume de água também desfez a antiga certeza, até então reinante entre os londrinenses, de que a cidade estava imune a enchentes e alagamentos em função dos seus muitos fundos de vale, que funcionam como drenos naturais. Pela primeira vez a população viu um de seus principais cartões-postais, o complexo de lagos Igapó, transbordar com tanta fúria, e se pôs em alerta: segundo especialistas, este tipo de ocorrência vai se tornar recorrente se providências não forem tomadas para conter os crimes ambientais.
A grande quantidade de terra que tingiu os lagos de vermelho é um sinal de que os terrenos ao redor e ao longo da bacia não estão sendo protegidos como deveriam. A lama que escorre com as enxurradas vem provocando intenso assoreamento no Igapó, que em alguns pontos já não passa de um espelho dágua. O diretor da ONG Patrulha das Águas, João Batista Moreira Souza, há anos alerta para o assoreamento e outros crimes ambientais na Bacia do Cambezinho. As pessoas vão fazendo novas construções, construindo ruas, impermeabilizando cada vez mais seus quintais, obstruindo bueiros, sem se preocupar com as consequências.
O secretário municipal do Ambiente, José Faraco, informou que o município pretende intensificar a fiscalização. Anunciou ainda que a administração municipal pretende investir, no futuro, R$ 40 milhões nas obras de desassoreamento do lago.
● O primeiro lago do complexo foi criado em 1959, com o represamento do Ribeirão Cambezinho; 11 anos depois começou o projeto de urbanização da área
● Processo em que ocorre o acúmulo de lixo, entulho e detritos no fundo dos rios





