São Paulo, 31 (AE) - A crise econômica e os problemas políticos na América Latina devem provocar um aumento dos índices de pobreza até pelo menos 30% da população da região, afirma um estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). De acordo com dados divulgados no início desta semana em Washington, cerca de 130 milhões de pessoas da América Latina e o Caribe vivem atualmente na pobreza. Para o PNUD, é quase impossível quantificar o recente aumento da pobreza, mas é certo que a desaceleração do crescimento econômico na região trará efeitos agravando essa situação.
No estudo "Política Macroeconômica na América Latina e o Caribe" o PNUD estima que parte das conquistas conseguidas entre 1990 e 1996 em termos de redução da pobreza poderão ser perdidas. Os responsáveis pelo estudo afirmam, entretanto, que isso dependerá da forma como será conduzida a política econômica nesses países.
O estudo lembra que os desequilíbrios nas economias, como os registrados no ano passado e os que vêm se ocorrendo agora, podem ser enfrentados de duas formas: 1) se os desequilíbrios são entre exportações e importações, uma medida possível a ser adotada é modificação do tipo de câmbio para tentar conseguir, de novo, o equilíbrio no setor externo; 2) outra alternativa seria manter a taxa de câmbio fixa e tentar o ajuste incentivando a entrada de capital, algo que é possivel conseguir aumentando a taxa de juros.
Excluindo o Brasil, que finalmente foi obrigado a mudar a sua taxa de câmbio, o restante dos países tem optado, nos últimos seis ou oito meses, por aumentar as suas taxas, algo que deve aprofundar ainda mais a recessão e, consequentemente, a pobreza.
O estudo engloba o período entre 1980 e 1996 e conclui que, na primeira década de 80, houve um aumento significativo do número de pobres, chegando a 32% dos latino-americanos. Nos seis anos seguintes, o número de pobres continuou a crescer, mas em um ritmo mais lento, em comparação com o aumento populacional. Com isso, a taxa de pobreza acabou ficando menor (27%).
Os responsáveis pelo estudo afirmam que essa ligeira conquista pode esvaziar-se e subir para 30%, principalmente pelo impacto da crise brasileira no restante da região, pelas dificuldades no Equador e pelos problemas que vivem outros países, como é o caso do Paraguai, do ponto de vista político. "A sensação, no momento, é a repetição dos mesmos erros do passado, como as receitas aplicadas depois da crise de 94 no México, e, agora, elas (as receitas) vêm sendo adotadas também pelo Brasil, embora saiba das implicações sociais".

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