Curitiba - Se a demanda por transporte rodoviário na Capital já é maior, em julho, por conta das férias escolares, a crise aérea tem contribuído para aumentar a procura por viagens de ônibus, principalmente, nas linhas que fazem o trajeto Curitiba-São Paulo. A administração da Rodoferroviária de Curitiba garante que o movimento é normal para época, mas duas empresas, que operam essas linhas, informam que há muita gente preferindo passar seis horas em um ônibus do que enfrentar esperas intermináveis nos aeroportos.
Esse é o caso da professora universitária Eliana Ribeiro. Ela mora em São Paulo e já estava se programando para visitar parentes em Curitiba, quando aconteceu o acidente com o vôo 3054 da TAM. Não teve dúvida: optou pelo ônibus. Eliana diz que não é por medo de voar, mas por não estar disposta a enfrentar horas de espera por um vôo. Por essa razão, voltará para casa, também, de ônibus.
Para o casal Andreana e Guilherme Buest, a decisão de trocar o transporte aéreo pelo rodoviário veio logo depois do acidente do avião da Gol, em setembro do ano passado. ''Começou com os atrasos e piorou com os acidentes. Apesar das estradas precárias, ainda, é preferível enfrentar seis horas de ônibus do que dez, 12 horas no aeroporto'', afirmou Andreana. Ela é professora universitária e viaja a São Paulo com frequência, mas não tanto quanto seu marido, que vai a capital paulista, pelo menos, três vezes por mês e tem apostado nos ônibus como meio mais tranquilo e seguro para viajar.
De acordo com o supervisor rodoviário da empresa de ônibus Itapemirim, Gilmar Aparecido dos Santos, houve um crescimento de 20% a 25% nos serviços de leito e semileito, o que o faz acreditar que as pessoas acostumadas a voar estão optando pelo transporte rodoviário, principalmente, para ir a São Paulo. Em períodos normais, informou ele, a empresa opera 17 horários e, neste mês, passou a trabalhar com 25 ou 26 horários.
No outro itinerário mais procurado da Itapemirim -Curitiba-Rio de Janeiro-, não foi necessário colocar ônibus extras, mas Santos afirmou que os carros têm viajado com número maior de passageiros.
O subencarregado da Cometa -outra empresa que opera a linha Curitiba-São Paulo-, Irineu Bolzon, também, confirmou a maior procura por ônibus executivos e leitos, mas não soube precisar o quanto aumentou, percentualmente. Segundo ele, pelo menos, dois ônibus extras por dia estão saindo de Curitiba.
Já o chefe do Setor de Terminal Rodoviário da Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs), Jair Carvalho, que administra a Rodoferroviária, afirmou que o movimento, este mês, é equiparado a julho de 2006. Do começo do mês até o dia 24, foram transportados 270 mil passageiros -112 a mais que em igual período do ano passado. Ele explicou que, historicamente, em julho, há um aumento de 30% a 35% no número de ônibus que deixam a Capital e que, por isso, não há como atribuir a maior demanda à crise nos aeroportos.

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