Uma agência da Caixa Econômica Federal no bairro Tatuquara, em Curitiba, foi alvo de um grupo de oito assaltantes logo após o início do expediente desta segunda-feira (30). Armados com fuzis, o bando levou malotes de dinheiro e, para escapar, fez um escudo humano com funcionários e clientes da agência.

A Caixa Econômica Federal não informou quantos funcionários trabalham na agência nem o valor roubado. Em nota, a assessoria de comunicação afirmou que a Caixa coopera com as investigações dos órgãos competentes e que o atendimento seria restabelecido na manhã desta terça-feira (1º).

Em um vídeo que circula pelas redes sociais, dezenas de pessoas aparecem saindo da agência com as mãos para o alto e em estado de choque. Em seguida é possível ouvir os tiros e o desespero de quem acompanhava a ação de longe. Um policial foi atingido de raspão no peito e um dos bandidos morreu.

Segundo o coronel Hudson Teixeira, uma viatura da Polícia Militar que já realizava o patrulhamento na região do jardim Monteiro Lobato flagrou o momento da fuga dos bandidos.

"Houve um momento em que os indivíduos atiraram e as equipes não puderam revidar por conta dos reféns como escudo, outro momento em que os indivíduos passaram pelas motocicletas da Polícia Militar e houve confronto e abandonaram o veículo que haviam roubado no banco. E o terceiro confronto na área de mata onde um deles entrou em óbito", explicou.

Por se tratar de um assalto a uma agência da CEF, as investigações serão conduzidas pela Polícia Federal. No entanto, ainda durante a tarde desta segunda-feira, a Polícia Militar e o Cope (Centro de Operações Policiais Especiais) de Curitiba realizaram as primeiras buscas e diligências para auxiliar a PF.

As primeiras investigações dão conta de que o veículo utilizado para a chegada de alguns dos bandidos na agência havia sido furtado no bairro Alto da Glória há poucos dias. Ao todo, três carros conduziram o grupo em uma ação já conhecida e apelidada de "novo cangaço", quando bandidos agem a luz do dia encorajados pelo pouco efetivo policial de cidades com pouquíssimos habitantes.

Segundo o delegado Rodrigo Brown, da Polícia Civil de Curitiba, o bandido morto portava documentação falsa do Estado de Santa Catarina. Uma tornozeleira eletrônica também foi encontrada no local. "A prioridade é descobrir quem é o morto, a partir daí nós já conseguimos traçar uma linha de ação, os relacionamentos, as amizades, quem teve qualquer tipo de ligação com essa pessoa para começar a montar o 'quebra-cabeça' de todos que participaram dessa ação criminosa", afirmou.

Na ação, armas foram deixadas para trás o que pode indicar a ligação com membros de uma quadrilha conhecida por "alugar" fuzis a outros bandidos e cujos membros foram presos recentemente em Curitiba.

"Nós estouramos uma casa onde eram produzidas todas as drogas que eram vendidas no Parolim. Tivemos um roubo a um supermercado e as mercadorias foram localizadas logo depois pela Polícia Militar numa residência no bairro Parolim então, realmente, aquela região está sendo alvo de várias ações policiais mas vai ser objeto de outras ações", disse Brown.

QUATRO MORTES

Na ocasião a Polícia Militar também foi questionada sobre supostos excessos em um confronto registrado nesta sexta-feira (27), também em Curitiba, e que culminou na morte de quatro menores em fuga. Após a ação, um inquérito civil foi aberto para se apurar as circunstâncias das mortes.

Esta ação motivou um protesto no bairro Parolim durante este sábado (28). De acordo com os moradores, os jovens não teriam reagido e foram executados enquanto estavam de joelhos. Eles teriam entre 14 e 18 anos. "Os indivíduos mortos, apesar de jovens, tinham várias passagens pela polícia", respondeu o coronel.

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