Criminoso matou refém e foi asfixiado
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terça-feira, 13 de junho de 2000
Agência Estado Do Rio de Janeiro 
O criminoso Sandro do Nascimento, de 21 anos, responsável pelo sequestro de um ônibus na zona sul do Rio, anteontem, não foi baleado pelo policial do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar, que disparou dois tiros em sua direção. De acordo com laudo médico divulgado ontem, Nascimento foi morto por asfixia mecânica no carro do Bope, que o conduzia ao hospital Souza Aguiar, no centro.
Estamos convencidos de que foi praticado um crime no trajeto e os cinco policiais que o acompanhavam já estão presos no quartel do Bope e serão indiciados, admitiu o secretário da Segurança Pública do RJ, Josias Quintal.
Outros laudos divulgados pelo Instituto Médico-Legal (IML) e pelo Instituto de Criminalítica Carlos Éboli (ICCE) indicam que a professora Geisa Firmo Gonçalves, de 20 anos, que estava como refém de Nascimento, foi morta por dois tiros disparados pelo revólver calibre 38, que pertencia ao bandido. Ainda de acordo com os exames, Geisa foi atingida por quatro tiros: um de raspão no queixo, dois no tórax (que causaram a sua morte) e outro de raspão na mão direita.
Apenas o ferimento no queixo da professora, de acordo com o documento, foi provocado pela submetralhadora HK MP5, calibre 9 mm, utilizada pelo soldado Marcelo Oliveira dos Santos, do Bope. Os outros ferimentos foram de projéteis do revólver do bandido. O policial, de 27 anos, foi afastado e durante o período de investigações permanecerá em funções administrativas. O secretário da Segurança também admitiu que houve erro de avaliação por parte do policial: Ele fez avaliação errada e vai responder criminalmente pela sua atitude. -
Os problemas na ação dos policiais provocaram mais uma crise na polícia do Rio. O governador Anthony Garotinho (PDT) afastou do cargo o comandante da PM, Sergio da Cruz, que será substituído pelo chefe do Estado Maior, coronel Wilton Soares Ribeiro.
A equipe que levou o assaltante para o hospital era formada pelo capitão Ricardo de Souza Soares e pelos soldados Luiz Antonio de Lima e Silva, Marcio de Araújo David, Paulo Roberto Alves Monteiro e Flavio Do Val Dias. Em vez de levarem o assaltante para o Hospital Miguel Couto, no Leblon, que fica praticamente ao lado do lugar onde ocorreu o cerco policial, os policiais decidiram levá-lo para o Hospital Souza Aguiar, no centro. Um inquérito vai apurar as circunstâncias das mortes de Geisa e de Nascimento.
Críticas A ação dos policiais durante o sequestro foi duramente criticada por especialistas. A arma, o momento e o posicionamento do policial que atirou em Sandro do Nascimento estavam errados, de acordo com o perito criminal Nelson Massini, professor de Medicina Legal da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). A atuação da polícia foi lamentável, afirmou o perito.
Segundo Massini, o ideal seria usar uma pistola, de fácil manuseio e precisão necessária à ação, não uma submetralhadora. A negociação deveria ter durado mais, porque estudos já mostraram que o bandido passa de um grau alto de excitação para um estado mais calmo em seguida, disse Massini. Isso levaria à sua rendição.


