Criminoso de guerra italiano encontrado na Argentina
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domingo, 09 de abril de 2000
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 10 (AE) - Faltava exatamente uma semana para o fim da Segunda Guerra Mundial, e as tropas ainda leais a Benito Mussolini continuavam reprimindo e realizando matanças no território cada vez mais exíguo que controlavam.
Em uma destas cidades ocupadas pelos fascistas, estava o sargento Bruno Caneva. O palco da tragédia foi Pedescala, Vicenza, onde ordenou o massacre de 82 pessoas, suspeitas de serem partisanos (a resistência italiana a Mussolini e os nazistas). Caneva comandou o fuzilamento, mesmo sabendo que a guerra já estava perdida.
Mais de meio século depois, o agora ex-sargento foi encontrado vivo, aos 87 anos, vivendo tranquilamente na plácida cidade de Mendoza, Argentina, próxima à fronteira com o Chile. O criminoso de guerra estava tão seguro de sua impunidade que sequer trocou seu nome nos 53 anos que viveu no país.
Caneva foi localizado pelo Centro Simon Wiesenthal, que solicitou ao presidente Fernando de la Rúa a extradição do criminoso de guerra.
Segundo o Centro, De la Rúa afirmou que não havia nenhum problema em extraditar o ex-sargento, e que o único requisito seria receber um pedido oficial do governo italiano.
O ex-sargento conseguiu fugir da Itália em 1947 graças à uma confusão da Justiça: logo após o fim da guerra, Caneva foi julgado pela morte de um único partisano, Rondino Fontana. Foi condenado à prisão perpétua, mas pouco depois teve a pena comutada e foi colocado em liberdade.
Imediatamente, Caneva rumou para a América do Sul. Só então a Justiça descobriu que ele havia sido o autor do massacre de Pedescala.
O destino de Caneva era a Argentina, que coincidentemente era a terra de um ex-aluno seu de esqui oito anos antes: o general Juan Domingo Perón. Durante os primeiros anos da Segunda Guerra, Perón havia sido adido militar argentino na Itália, e seguindo o treinamento de tropas de montanha, teve aulas de esqui com Caneva. Ao voltar para Argentina, o militar começou uma meteórica ascensão, e em 1946, o aluno havia se tornado no presidente do país.
Os historiadores dizem que foi em contato com o regime fascista do Duce que Perón inspirou-se para o modelo político que implementou anos depois em seu próprio país, tornando-se assim em "El Conductor".
Com o fim da Guerra, Perón acolheu com interesse ex-nazistas e fascistas. Dos milhares que o país recebeu nos anos de pós-guerra, Perón utilizaria centenas para fornecer know-how que ia desde o assessoramento militar, passando pelo desenvolvimento tecnológico, chegando até os métodos de interrogatórios da polícia e tortura.
O Centro Wiesenthal teme que os trâmites da extradição levem muito tempo, e que nesse intervalo, Caneva possa fugir para o Chile, onde existem outros criminosos de guerra escondidos.


