Imagem ilustrativa da imagem Criminalística tem mudança no comando em Londrina
| Foto: Gustavo Carneiro
"Fazia algum tempo que a sala estava trancada sem que o atual chefe tivesse autonomia para entrar e sair dela", destacou a promotora Claudia Piovezan
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| Foto: Anderson Coelho
Policiais do Gaeco apreenderam computadores, documentos, armas de fogo e até dinamite



Uma sala trancada na sede do Instituto de Criminalística de Londrina chamou a atenção do Ministério Público e ocasionou mudanças no comando do órgão na cidade. Após visitas periódicas ao instituto, os promotores solicitaram à Justiça um mandado de busca e apreensão para verificar o que havia na sala onde a entrada estava restrita a funcionários do setor de limpeza.
Na manhã desta sexta-feira (5), policiais do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e promotores tiveram acesso ao local. Foram encontrados computadores, documentos e armas de fogo. No entanto, a operação foi suspensa porque havia também explosivos no local. Policiais do Esquadrão Antibombas vieram de Curitiba para verificar a dinamite. O material foi levado para a capital e a operação do Gaeco continuou no início da tarde.
Os detalhes da investigação conduzida pelo Ministério Público não foram revelados. "Fazia algum tempo que esta sala estava trancada sem que o atual perito chefe tivesse acesso e autonomia para entrar e sair dela", destacou a promotora Claudia Piovezan, responsável pela Promotoria de Inquéritos Policiais. Segundo Claudia, a demora no andamento de um inquérito que aguardava laudo do Instituto de Criminalística seria um dos motivos da operação.
A sala trancada pertence ao ex-chefe do Instituto de Criminalística de Londrina, Daniel Felipetto, hoje diretor-geral do Instituto de Criminalística do Paraná. "Fomos informados que a pessoa que utilizava essa sala não trabalha mais aqui há cerca de dois anos. Esporadicamente, essa pessoa vinha aqui e a sala não era utilizada no dia a dia do funcionamento do órgão", explicou a promotora.
Uma caminhonete e um carro carregados com documentos, computadores e outros materiais levaram os itens apreendidos até a sede do Gaeco. A promotora não soube precisar quantas armas de fogo foram apreendidas. Todos os itens passarão por perícia e serão analisados pela Promotoria de Inquéritos Policiais. Servidores do Instituto de Criminalística também serão ouvidos nas próximas semanas. "Nós só queríamos saber o que havia na sala e agora vamos verificar se o que tem aqui é relevante ou não para feitos em andamento. [...] Tem ofícios de juízes encaminhando material e solicitando perícia e a gente não sabe se as perícias foram feitas ou não", finalizou.
André Cunha, advogado do diretor-geral do Instituto de Criminalística do Paraná, acompanhou a ação dos policiais e negou que o acesso à sala fosse restrito. "É um arquivo morto. Há material de perícia que já foi realizada. Ele tem responsabilidade de guarda sobre isso. […] A sala era acessada semanalmente pelo pessoal da limpeza da Criminalística. A chave estava à disposição e inclusive foi usada pelo Ministério Público", argumentou o advogado. "Não tem nenhuma perícia atrasada. Não tem nenhum ofício não respondido. Não tem nada nesse material que possa dizer ‘houve qualquer situação de direcionamento em perícia’", defendeu Cunha.
O então chefe do Instituto de Criminalística de Londrina, Luciano Bucharles, preferiu não se manifestar oficialmente sobre o assunto. No final da tarde, a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) informou que Bucharles teria colocado o cargo à disposição e que o novo chefe local deve ser nomeado nos próximos dias.
Conforme a nota oficial, a banana de dinamite estava "inerte", não oferecia risco de explosão e fazia parte de uma investigação relacionada a explosões de caixas eletrônicos. A direção da Polícia Científica classificou a ação do Ministério Público como "desproporcional" e informou que "será aberto um procedimento administrativo para apurar as razões pelas quais os membros do Ministério Público de Londrina não tiveram acesso à sala anteriormente – uma vez que uma cópia da chave ficava na sede do instituto".

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