Criminalista diz que caso é campanha contra advogados
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O advogado criminalista Claudio Dalledone Júnior, que está defendendo os advogados José Lagana e Sílvio Carlos Cavagnari, de Curitiba, e que desde ontem também assumiu a defesa do advogado João Bosco de Souza Coutinho, de Recife (PE), acusado de ser o cabeça do grupo, afirmou, ontem, que seus clientes são ''absolutamente inocentes'' e que há uma ''campanha contra os escritórios de advocacia'' com objetivo de inibir a cobrança desses títulos''.
Os três, junto com o advogado Michel Saliba Oliveira, presidente licenciado da subseção de Curitiba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o técnico em informática João Marciano Odppis, ambos de Curitiba, e Paulo Sampaio, que seria funcionário de Coutinho em Recife, foram presos pela Polícia Federal na segunda-feira, acusados de tentar aplicar golpes que renderiam R$ 3 bilhões contra a Petrobras e as Centrais Brasileiras S.A. (Eletrobrás), para receber títulos da dívida pública falsificados ou prescritos.
Dalledone argumentou que não haveria nada de ilegal no ato de seus clientes, que apenas teriam agido dentro da profissão, e entrado com pedido de tutela antecipada em nome de seus clientes. ''Há fatos estranhos nessa história. Tenho certeza de que não passou de mera cogitação de crime. E se tivesse sido um crime, teria que ter a conivência do Judiciário'', disse, ressaltando que se a polícia afirma que houve tentativa de tráfico de influência, teria que investigar também as varas judiciais para onde os processos eram dirigidos.
''Quero que a Polícia Federal mostre a perícia que prova a falsidade dos títulos. Também quero saber por que eles não recolhem as tutelas já pagas e deferidas pela Justiça Estadual'', cobrou. Para ele, caso os títulos sejam legítimos, é preciso ver que tipo são, se caducaram em 1977 ou só prescrevem 20 anos depois de emitidos.
Ele disse estranhar o fato de que só agora a Justiça tenha questionado os pedidos de tutela antecipada, uma vez que a investigação da PF já havia levantado pagamento de tutelas em outros Estados e mesmo em outras comarcas do Paraná, como Cascavel e Matinhos, no Litoral. ''Esses títulos geraram grandes somas e vão gerar grande desembolso da União. Entendo o que está acontecendo como uma forma de inibir o direito de ação do cliente de receber um título ao portador'', disse.
O superintendente da PF em Curitiba, Jaber Makul Hanna Saadi, negou qualquer irregularidade nas investigações sobre as supostas fraudes nas ações contra a Petrobras e Eletrobrás como acusou Dalledone. ''Não existe campanha nenhuma. Existe uma investigação sobre crimes com conhecimento da Justiça. Quem irá verificar se há irregularidades é a Justiça'', rebateu.


