Curitiba- O aumento da criminalidade no Paraná se deve à falta de investimentos em sa© úde, educação e segurança, avalia o professor Lindomar Wessler Boneti, sociólogo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). ''A opção de investimentos foi para oferecer infraestrutura de produção, abandonando as questões sociais. Isso traz consequências. Antes se pensava que investindo no crescimento econômico, acabaria a pobreza e haveria melhoria social. Isso não ocorreu'', disse.
Dados divulgados anteontem pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla), apontam que entre os dez municípios com as maiores taxas relativas de homicídios (relação entre número de homicídios por 100 mil habitantes), três são paranaenses: Foz do Iguaçu, Guaíra e Tunas do Paraná. Em números absolutos, Curitiba é o município com o 7º brasileiro em homicídios com o registro de 874 casos. Destes, 724 foram mortos com armas de fogo. Londrina aparece em 363º do Brasil, com 162 homicídios em 2006, sendo que deste total 144 foram com armas de fogo.
Na lista dos 10% dos municípios brasileiros com maior quantidade de homicídios, 54 são paranaenses. ''O Paraná tem uma característica incomum: ele é um estado de passagem. Foi no Brasil colônia e continua sendo. Ele foi ocupado pelo processo de passagem entre Rio Grande do Sul e São Paulo, que eram forte economicamente, para o transporte de mercadorias, de animais, de minérios, de migração, de mão-de-obra. A diferença é que hoje o transporte é de contrabando, de drogas e de armas'', enfatizou o sociólogo.
Outro fator que colabora para a alta taxa de criminalidade, segundo o professor, é o fato do Paraná ser um estado novo e ter passado por um crescimento econômico muito rápido. ''Sempre existe conflito social em grandes mudanças. O conflito ocorre geralmente nas classes mais baixas, que não conseguem acompanhar as necessidades criadas de novos saberes, novos conhecimentos, novos consumidores'', disse Boneti.
Na opinião do professor, a polícia paranaense é despreparada, mal remunerada e cheia de conflitos psicológicos e familaires. Isso não apenas no Paraná, mas em todo o Brasil. ''A polícia não tem claro seu papel de cidadania, de respeito consigo e com os outros'', afirma.
Para ele, a solução para a violência no Paraná passaria pela educação -usando os autais espaços de ensino para abandonar a idéia de competitividade por notas e reconhecimento e adotar o fortalecimento da noção de cidadania. ''Para sobreviver, a pessoa normalmente topa tudo. É o ponto primordial para começar a tratar o problema. Não se rompe a lógica das políticas públicas, que mais parece uma esfera -indo do centro em direção às periferias. As políticas públicas precisam começar exatamente pelas periferias'', concluiu.

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