Crimes praticados por menores cresceram 10% na capital
São Paulo, 29 (AE) - O secretário estadual de Segurança Pública, Marco Vinício Petrelluzzi, disse hoje que o número de atos infracionais - crimes cometidos por menores - na capital paulista aumentou 10% nos últimos dez dias, depois de o Complexo Imigrantes da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) ter registrado uma série de fugas. Mais de mil menores voltaram às ruas. "Aparentemente, essas fugas têm alguma coisa a ver com isso", afirmou. "Mas não foi nada explosivo."O comentário foi feito durante entrevista coletiva em que o governador Mário Covas (PSDB) anunciou algumas medidas para as unidades da Febem.
Dados do Fórum das Varas Especiais da Infância e da Juventude da capital mostram que nos 28 primeiros dias de agosto haviam sido registrados 1.307 infracionais. No mesmo período de setembro, foram 1.387 (6,12% maior). Petrelluzzi afirmou que esse número vem da "percepção dos policiais", mas não anunciou nenhuma medida em razão do aumento da criminalidade e disse que não há sentido em continuar as buscas nos arredores do complexo, porque os menores certamente já não estão por lá. Ainda há 427 menores não recapturados.
Remendo - As medidas anunciadas pelo governador, nas palavras dele mesmo, são apenas para "remendar" os problemas da Febem. Desde ontem, cerca de 30 professores da Escola de Educação Física da Polícia Militar estão dando aulas no Complexo Imigrantes. Hoje cinco médicos da PM examinaram os menores. A visita dos médicos foi feita um dia depois de um interno ter morrido em consequência de meningite .
Covas disse que em 135 dias vai inaugurar dois "complexos", em Franco da Rocha, que terão um total de 12 unidades, com capacidade para 80 internos cada, totalizando 960 vagas. De acordo com o governador, as internações serão provisórias nesses locais. De lá, os internos vão seguir para unidades do interior, depois do processo de descentralização.
Covas disse esperar que a "esporteterapia" tire os meninos da vida que eles levavam até agora. "Não ter o que fazer acaba com a cabeça da molecada." Segundo ele, os professores da PM eram os mais indicados para trabalhar com os menores infratores. "Eles já estão recebendo salário e não usam violência."
Revista - Hoje, antes da visita do governador aos internos, 120 PMs fizeram uma vistoria entre os menores, à procura de armas e outros objetos. De acordo com o tenente-coronel Paes de Lima, nada foi encontrado. "Não encontramos nada surpreendente, significativo." Covas afirmou que conversou com os menores e não recebeu reclamações do tratamento dos policiais durante a revista. "Eles reclamaram de tudo, menos de violência."
Questionado sobre o fato de os menores terem, a partir de agora, aulas de educação física como única atividade no complexo, o governador disse que isso era o melhor a fazer. "Aqui, o que se pode fazer é remendar."
Segundo Covas, a Febem começará a mudar quando forem feitas as transferências para as novas unidades e a descentralização estiver mais avAnçada. "Aí muda conceitualmente", explicou. "Cada unidade estará muito mais voltada para a ressocialização."





