São Paulo, 29 (AE) - Quando o ambulante Afonso José da Silva encerrou seu depoimento e se preparava para deixar a Câmara Municipal, às 19h10, cinco tiros assustaram quem estava por ali. No prédio, várias pessoas corriam gritando: "Afonso! Afonso!"
Mas os tiros foram disparados contra a cabeça do corretor de seguros José Sílvio Nascimento, de 43 anos, que caminhava na calçada do lado da Câmara. Levado pelo resgate do Corpo de Bombeiros para o Pronto-Socorro do Hospital Municipal Vergueiro, morreu às 20 horas.
Após disparar, o autor dos tiros correu na direção da fachada da Câmara. Foi preso por policiais civis e militares que faziam a segurança de Afonso.
B.P.M., de 17 anos, saiu da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) há três dias. Alegou que atirou por causa de uma rixa. Mas o capitão Salgado, chefe da Assessoria Militar da Câmara, acreditava em tentativa de assalto.
O promotor Fernando Capez, um dos responsáveis pela investigação da máfia dos fiscais, que assistia aos depoimentos na CPI, afirmou: "A princípio, isto não tem relação com as apurações da CPI."
O investigador Décio de Felice, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, disse que antes de ser preso o rapaz jogou a arma no estacionamento. O revólver, calibre 38, foi apreendido. Felice confirmou que o menor disse tratar-se de vingança, mas também acreditava em assalto.
Afonso não viu o corretor ser atingido. No momento em que ia sair, pela porta da frente, avisaram que o carro da polícia em que ele seria transportado estava com o pneu direito dianteiro furado. Afonso, com colete à prova de balas, voltou para a Câmara. Nesse momento, o corretor foi baleado.
Quando a sessão foi reaberta, o presidente da CPI, vereador José Eduardo Martins Cardozo (PT) falou sobre o caso. "À primeira vista, não se trata de questão relacionada com os fatos apurados pela CPI."

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