Mônaco, 07 (AE) - A estranha morte do banqueiro Edmond Safra, apesar de rapidamente elucidada, pode atingir a imagem de Mônaco como praça financeira e um dos paraísos fiscais mais importantes da Europa. Mônaco oferece garantias aos investidores estrangeiros e segurança aos residentes, milionários de todo o planeta, escolhidos com muito rigor pela administração monegasca. O ultimo crime de morte havia ocorrido em 1986.
Artistas renomados, esportistas, banqueiros e homens de negócios optaram por residir em Mônaco porque o sistema fiscal é bem mais favorável que no resto da Europa, podendo circular sem grande preocupação com suas Ferraris e Rolls Royces. Teme-se que a morte de Safra espante os investidores do principado. Edmond Safra havia obtido sexta feira, dia de sua morte, a nacionalidade monegasca, o que revela que era sua intenção terminar seus dias nesse rochedo da Cote DAzur.
O principado de Mônaco é administrado como se fosse uma grande empresa. Este ano, a previsão é de faturamento de 47 bilhões de francos (US$ 7,3 bilhões), ante 44,5 bilhões no ano passado. A receita vem de impostos, do turismo, setor imobilário e jogo. Sua administração não fala em PIB e não revela a renda per capita de sua reduzida população, apenas 30 mil almas. Por isso, fatos como os da morte de Safra, muito explorados pela imprensa , constituem uma propaganda negativa para o principado.
Essa preocupação com a imagem do principado explica a atitude do diretor-geral de Finanças e Economia (vice-ministro), Franck Biancheri, de aceitar o convite de um grupo reduzido de jornalistas para explicar a política do principado nessa área sensível. Ele reconhece que o caso Safra é lamentável, mas não acredita que possa prejudicar a confiança dos investidores no principado, onde se encontram instalados 70 estabelecimentos bancários, um fluxo de investimentos anual da ordem de US 45 bilhões, dois terços dos quais originários da União Européia e um terço de fora da Europa.
Para o vice-ministro de Finanças, é muito cedo para uma avaliação definitiva das consequências financeiras do caso Edmond Safra, mesmo porque alguns pontos ainda permanecem obscuros . "Não houve tempo para analisar os detalhes sob o aspecto financeiro, mas, se percebemos algo, adotaremos as providencias necessárias", afirmou Biancheri.
O vice-ministro lembra que hoje os bancos estão muito atentos à circulação suspeita de capitais ou à abertura de contas, por causa da lavagem de dinheiro. Mônaco faz parte do Grupo Egmont - organismo de cooperação na luta contra a lavagem de dinheiro.
O principado tem, como a França, o Serviço de Controle dos Circuitos Financeiros, que age sempre que detecta uma transação suspeita ou irregular feita por intermediários, bancos ou tabeliões, um sistema para proteger a imagem do principado. As transações de valor mais importante são comunicadas ao Banco da França, pois no principado é a lei bancária francesa que se aplica, existindo sistemas declarativos sobre o nível dos investimentos.
Biancheri lembra que, mesmo para autorizações de residência permanente, o controle é rigoroso. Certas nacionalidades mais sensíveis são examinadas com maior cuidado. Também as autorizações para a abertura de estabelecimentos comerciais têm seleção rigorosa. Mônaco vive hoje principalmente de suas taxas, equivalente a 70%. O imposto TVA representa 55% do total. A receita nos cassinos representa 4%, mas chegou a representar 95%. Um metro quadrado em Montecarlo custa entre US$ 6 mil e US$ 18 mil.

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