Crime organizado volta a agir no Rio
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de fevereiro de 2003
Roberta Pennafort<br> Agência Estado 
Rio - Em nova demonstração de força, traficantes de drogas incendiaram ontem mais três ônibus e três carros na zona norte do Rio e na Baixada Fluminense, apedrejaram outros quatro coletivos e dispararam dezenas de tiros contra um supermercado, um shopping center e um posto de gasolina que não haviam acatado a ordem de fechar as portas na segunda-feira. Os ataques se concentraram na área do conjunto de favelas do Alemão, de onde seriam os bandidos que atiraram nas lojas. Lá o comércio ficou fechado - a determinação dos traficantes era não abrir até a meia-noite de ontem. Nos dois dias de violência, 29 ônibus foram queimados.
Entre a madrugada e a tarde de ontem dois ônibus foram queimados na Pavuna, na zona norte do Rio, perto do complexo do Alemão, e outro no bairro Nova Campina, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Durante a madrugada, bandidos atearam fogo a três carros de passeio em bairros da zona norte. No Alemão, de manhã, dois microônibus foram apedrejados. Nos bairros de Benfica e Del Castilho, na zona norte, dois coletivos também foram depredados. Não houve feridos.
Segunda-feira à noite, os ataques também se concentraram na zona norte. Por volta das 20h, um ônibus foi incendiado em Guadalupe e, às 21h30, outro foi atacado, na Avenida Brasil, na altura de Barros Filho. Durante o dia, na segunda-feira, os traficantes haviam queimado 24 coletivos e danificado oito em diferentes pontos da Região Metropolitana. Oito pessoas ficaram feridas.
Medo - No Alemão, pelo segundo dia consecutivo, o comércio permaneceu fechado e os coletivos mudaram o itinerário para evitar novos ataques, deixando moradores a pé. Uma dona de casa de 73 anos, que mora perto do complexo, contou que os próprios policiais militares avisavam aos motoristas do perigo de passar perto das favelas.
''Está tudo fechado desde ontem (anteontem) porque os 'homens da lei' mandaram. Agora tenho que andar quilômetros para comprar um pão'', reclamou a senhora, com medo de se identificar.
Represália - Na Avenida Brás de Pina, na Penha, também na zona norte, moradores e comerciantes se assustaram ao se deparar com a vidraça do supermercado Bon Marché todo perfurado por balas de fuzil. O Penha Shopping e um posto de gasolina que ficam do outro lado da rua também foram alvejados. A represália se deu porque, na segunda-feira, as lojas abriram, desrespeitaram as ordens dos traficantes. Os autores dos disparos seriam traficantes da Vila Cruzeiro, uma das favelas do Alemão, que agiram por volta das 23h30 de anteontem.
Sobre os episódios dos últimos dois dias, a governadora Rosinha Matheus declarou: ''Continuamos com a polícia nas ruas agindo; nós não podemos prever quando e qual ônibus eles irão atacar.''


