Crime organizado e prostituição infantil estão fora de controle no Piauí
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segunda-feira, 05 de julho de 1999
Por Hugo Marques, especial para a Agência Estado 
Brasília, 6 (AE) - O superintendente da Polícia Federal no Piauí, delegado Robert Rios Magalhães, disse hoje que o crime organizado e a prostituição infantil estão "fora de controle" no Estado. Magalhães prestou depoimento hoje ao Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Humana (CNDPH) e deixou preocupadas algumas autoridades do Ministério da Justiça. O secretário Nacional dos Direitos Humanos, José Gregori, disse que a situação do Piauí é de "inteiro desamparo" aos direitos humanos.
Em seu depoimento, Magalhães informou ao CNDPH que o Estado não dispõe de estrutura policial para combater o crime organizado. O superintendente lembrou de recente assalto à agência do Banco do Brasil na cidade de Corrente. Os assaltantes levaram todo o dinheiro e em seguida renderam todos os policiais do quartel da Polícia Militar na cidade para roubar armas. O superintendente acredita que mais de 30 policiais civis e militares estejam envolvidos com o crime organizado no Estado.
Magalhães afirmou que o maior problema é a falta de estrutura das polícias civil e militar para combater o crime. Dos 57 delegados de polícia do Estado, segundo Magalhães, apenas nove são bacharéis. "O restante é tudo analfabeto", disse. O superintendente afirmou que as polícias não dispõem de recursos humanos e armamentos adequados para coibir o crime organizado e a Polícia Federal é chamada para intervir em operações nem sempre de sua competência constitucional.
Algumas operações são de combate à prostituição infantil. O superintendente afirmou que garotas a partir de nove anos se prostituem com adultos em várias localidades do Piauí. Magalhães disse que muitas autoridades dos três poderes, empresários e até apresentadores de televisão estariam envolvidos com a prostituição infantil no Piauí. O superintendente disse que deverá nas próximas semanas indiciar um deputado estadual, que estaria mantendo relações sexuais com crianças.
O superintendente afirmou que há "boa intenção" do governo do Estado em combater o crime organizado, mas que é necessária ajuda federal. "O Estado é muito pobre", disse. As estatísticas da PF mostram que é intenso o crime de pistolagem no Piauí. Somente nos últimos oito anos, nove prefeitos foram assassinados.
Desamparo - José Gregori afirmou que está aguardando a conclusão de um relatório do CNDPH para solicitar providências ao governo federal para o combate à violência no Piauí. Gregori disse que vai levar o problema ao ministro da Justiça, Renan Calheiros, e ao chefe da Casa Militar da Presidência, general Alberto Cardoso, para que sejam discutidas providências conjuntas com o governo do Piauí.


